Alterações hormonais, queda na autoestima, crises de identidade e impacto nos relacionamentos: psicóloga alerta para os efeitos emocionais e comportamentais da menopausa, ainda tratados como tabu por grande parte da sociedade
Ondas de calor, interrupção do ciclo menstrual e alterações hormonais são os sinais mais conhecidos da menopausa. Mas os efeitos emocionais — como crises de ansiedade, baixa autoestima, insônia e até sintomas depressivos — seguem pouco discutidos. O silêncio social em torno da saúde mental da mulher nesse período gera sofrimento silencioso e sensação de solidão, mesmo entre mulheres bem-informadas.
“A mulher na menopausa vive uma transformação que não é apenas biológica, mas também emocional e social. Muitas chegam dizendo: ‘não sou mais a mesma’, e isso vem com um peso psicológico que a sociedade ainda minimiza”, explica a psicóloga clínica e neuropsicopedagoga Roberta Passos, especialista no atendimento de mulheres em fase de transição hormonal e de vida.
Além das mudanças internas, a menopausa ainda é cercada de preconceitos que reforçam o isolamento emocional. “Elas ouvem que estão ficando ‘loucas’, ‘chatas’, ou que estão de mimimi. Isso inibe o pedido de ajuda”, pontua a psicóloga.
Outro fator que contribui para o sofrimento é a desinformação. Muitas mulheres não associam alterações emocionais com a fase que estão vivendo. “É comum confundirem sintomas com depressão, burnout ou simplesmente com ‘estresse da rotina’. Sem um olhar especializado, essas mulheres não recebem o suporte adequado.”
Roberta também destaca os impactos nos relacionamentos, tanto pessoais quanto profissionais: “A queda de libido, a instabilidade emocional e o cansaço constante afetam a autoestima e a vida a dois. No trabalho, muitas mulheres relatam dificuldade de concentração, irritabilidade e medo de perder produtividade”.
Segundo a especialista, quebrar o silêncio é o primeiro passo para transformar a forma como a menopausa é enfrentada. “Precisamos tratar essa fase com acolhimento, informação e acompanhamento psicológico. A mulher não precisa enfrentar tudo sozinha nem acreditar que ‘é assim mesmo’. Existe cuidado, existe tratamento e existe espaço para falar sobre isso”, conclui.
Roberta Passos: Roberta atua há mais de 14 anos como Psicóloga Clínica e Psicopedagoga, com especialização em Neuropsicologia pelo IPQ-FMUSP. Atende crianças, adolescentes e adultos em diversas queixas, entre elas dificuldades de aprendizagem.
Fonte: Agência 2025


