Em prova marcada por chuva, invasão de pista e ousadia estratégica, Rubens Barrichello conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1

Neste ano em que a F1 completa 75 anos, muitas corridas ao longo destas 7 décadas e meio são eternamente lembradas, e o Grande Prêmio da Alemanha, no antigo circuito de Hockenheimering Baden Württenberg, a 11ª etapa da F1 2000 foi uma delas!

O fim de semana em Hockenheim começou conturbado, com chuva intensa, túneis de acesso alagados e pneus boiando nos boxes. No sábado de classificação, Michael Schumacher precisou do carro reserva de Rubens Barrichello para fazer seu treino classificatório (Naquele tempo tinha carro reserva), e Rubens teve menos tempo de treino e conseguiu apenas o 18° tempo no grid, com 1:49:542, enquanto o pole position foi o escocês David Coulthard da McLaren, com 1:45:697.

Na largada, o italiano Giancarlo Fisichella da Beneton tocou na Ferrari de Michael Schumacher na freada da curva 1 e ambos saíram da prova, aquele era o 3° abandono seguido de Schumacher, lembrando que, ele teve quebra de motor em Magny Cours. Na França e acidente na largada em A1Ring, na Áustria.

Rubens fez uma ótima largada, ganhando posições, e na 7ª volta fez a volta mais rápida da prova com 1:44:300. No entanto, até o presente nomento Rubens fazia apenas uma corrida de recuperação, lutando para salvar alguns pontos na corrida e no campeonato.

Durante a prova, eis que um homem bêbado invade a pista na região da floresta, envolvido com um pano branco com alguns dizeres, que pelo que foi dito, era um empregado demitido da Mercedes e ele teria invadido a pista em forma de protesto.

Com a invasão de pista, foi acionada a enteada do Safety Car para a retirada deste invasor, que não ofereceu resistência alguma. Com isso, o estrategista da Ferrari Ross Brawn chamou Barrichello para os boxes, devolvendo o brasileiro à pista com reais chances de pódio.

No trecho final da corrida, eis que a chuva marca presença de novo no circuito alemão, porém, o traçado antigo de Hockenheim era o segundo maior da F1, com 6.823 metros, apenas atrás de SPA Francochams da Bélgica, que gem 7004 metros, sendo assim, em uma parte do circuito chovia, enquanto permanecia seca na outra.

Conforme a chuva caía, todos os pilotos entravam para os boxes para troca de pneus, enquanto Rubens Barrichello em uma estratégia arriscada e arrojada escolheu permanecer na pista, para surpresa de Ross Brawn, que o chamou no rádio e disse “Are you crazy”, ou seja, “Você está maluco”?

Quando as McLarens do finlandês Mika Häkkinen e do escocês David Coulthard, e a Jordan do alemão Heinz Harald Frentzen entraram nos boxes, Barrichello assumiu a liderança da prova, pois a chuva estava caindo na parte mais lenta do circuito, que era na parte do estádio e da reta dos boxes, enquanto na parte veloz, nas retas que cortavam a Floresta Negra, permanecia seco.

Rubens com penus de pista seca abria grande vantagem nos trechos de alta velocidade, e perdia um pouco no trecho molhado, lembrando que os pneus de chuva em pista seca não tem bom desempenho, pois os mesmos aquecem mais rápido, provocando uma degradação maior.

Nas duas últimas voltas, Rubens já levava 12 segundos de vantagem para Mika Hakkinen, o 2° na prova, quando a chuva também já caía na parte da floresta, mas aí era só controlar a vantagem e abrir a volta final.

Como esquecer a forma épica com que o narrador Galvão Bueno transmitiu aquele momento da volta final de Rubens Barrichello na sua 1ª vitória na F1? Galvão, trazendo uma carga de emoção imensa dizia ao Brasil naquele momento:

“O Häkkinen entra no estádio, Rubinho vai contornar a curva que traz para a reta, Rubinho vai rasgar a reta em Hockenheim e vai abrir a última volta do Grande Prêmio da Alemanha!

Aí vem Rubinho para completar a volta, passa Barrichello, traz a Ferrari, 6823 metros separando Rubinho da vitória que ele tanto sonha e há tanto tempo espera.

Agora já são 6500 metros, aos poucos de forma ainda tímida a equipe Ferrari já vem se posicionando, aí vão todos buscando posição para saudar Rubens Barrichello, toda a equipe Ferrari! É um momento bonito na F1! Aí vem Rubinho que arriscou tudo. Capricha, Rubinho na ponta dos dedos que você merece!

Lá vem ele! Ela teria que ser assim depois de tanto tempo, tantas e tantas vezes Barrichello namorou com a vitória, e ela teria que vir assim dramática, sem parada para troca de pneus, com um alucinado andando na pista, correndo com pneus de pista seca na chuva! Eu olho para o Burti do meu lado e o Burti chora na cabine!

Aí vem Rubinho, vem para os metros finais, finalmente o dia vai chegar! Aí o Hakkinen, vem se aproximando Rubinho, o Rubinho vai chegar e eu vou ver ele aparecer no estádio! Aí o Coulthard que é o 3° colocado. Vamos para os metros finais da prova, é a 11ª etapa da F1 2000!

Rubens Barrichello entra no estádio, agora são 3 curvas! O torcedor alemão toca as buzinas, agita as bandeiras da Ferrari. Capricha, Rubinho! Capricha que é o seu dia! Capricha que é o seu momento! O Brasil inteiro vibrando com você! Aí vem Rubens Barrichello! E nós vamos ouvir o Tema da Vitória que há 7 anos não tocávamos!

Aí vem Rubinho na ponta dos dedos Rubens Rubens Rubens Rubens Barrichello do Brasil!!!! Rubens Barrichello do Brasil vence de forma brilhante o Grande Prêmio da Alemanha!!! Chegou o dia, foram 7 anos de espera na F1 brasileira, de novo no alto do pódio! Aí a festa da Ferrari, ela teria que ser assim, teria que ser de forma dramática! E vocês percebem que eles festejam mais do que festejam normalmente.

Vibre mesmo, Rubinho, soque o ar, solta o cinto, bate no cinto, levanta do carro, faz o que você quiser! Valeu, Rubinho! Isso, solta o cinto e levanta do carro! Ergue o seu punho. Viva o seu momento! Faça rolar suas lágrimas porque elas são de uma carreira muito sofrida, de muita gente que não acredita, de muita gente que tem o mau hábito de não respeitar o talento dos outros! Chega o momento de Rubens Barrichello, a vitória é sua Rubinho, é do automobilismo brasileiro! Rubens Barrichello do Brasil”!!!

Chegando nos boxes, Rubens Barrichello foi recebido com abraço do seu companheiro de equipe, Michael Schumacher, além dos cumprimentos e reconhecimento de todas as equipes, a Jaguar, que era sua antiga equipe enquanto se chamava Stewart, que teve como companheiro de equipe o inglês Johnny Herbert.

No momento do pódio mais emoção, Rubens Barrichello chorou copiosamente ao ouvir o hino nacional em homenagem a sua vitória, enxugando as lágrimas na bandeira brasileira que levou ao pódio.

Após a premiação e o banho de champanhe, Rubinho foi erguido no pódio pela dupla da McLaren, gesto que a dupla repetiu, quando em 26 de Outubro de 1997, no circuito espanhol de Jerez de la Frontera, ergueu o canadense Jacques Villeneuve da Williams, na conquista do título mundial do canadense naquela etapa.

Com esta emocionante vitória, o Brasil chegava a 80 vitórias na F1, com 1 de José Carlos Pace, 14 de Émerson Fittipaldi, 23 de Nelson Piquet e 41 de Ayrton Senna. Foi assim que o Brasil há 25 anos voltou a comemorar uma vitória na F1, que não vinha desde 7 de Novembro de 1993, quando Ayrton Senna venceu pela última vez na F1, em sua despedida da McLaren no circuito de Adeilaide, na Austrália!

Obrigado por este dia, Rubinho! Valeu, Rubens Barrichello do Brasil!

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21 comentários em “A 1ª vitória de Rubens Barrichello na F1 – 25 Anos”

  1. Nem a Inteligência Artificial consegue ganhar do Marcelo Maranello em dados e memória kkkk

    A riqueza nos detalhes e a paixão pelo esporte e pela escrita sempre fazem toda matéria escrita por esse querido amigo muito especial!

  2. 30 DE JULHO…

    ME LEMBRO MUITO DISSO!

    Assisti na TV e foi muito AFÚ !!

    E ainda teve gente idiota que dizia “…claro… com o Schummacher fora é facil…”

    DALHE BARRICHELLO!!!

    PÁU NELES!!!!

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