Especialista alerta que contratos não preparados podem se tornar inviáveis, quebrar equilíbrio econômico e exigir renegociações práticas — mesmo em setores fora do varejo

Com o início oficial das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros — que passaram a valer nesta terça-feira (6) —, empresas que operam globalmente já começam a sentir os primeiros reflexos de um novo desafio contratual: preservar o equilíbrio econômico-financeiro dos acordos firmados com base em condições que mudaram de forma abrupta.

Para a advogada Karen Ebaid, especialista em Contratos e sócia do Duarte Tonetti Advogados, muitas empresas têm contratos que não previam cenários como esse.

“Mudanças tarifárias unilaterais alteram profundamente a lógica econômica dos contratos. Em muitos casos, a margem de lucro desaparece e o risco de inadimplemento cresce — não só entre exportadoras, mas em toda a cadeia de fornecedores”, explica.

A especialista destaca que, mesmo acordos com parceiros que não operam nos EUA, precisam olhar para as respectivas operações, especialmente se essas empresas operarem com empresas exportadoras. Se o impacto tarifário for repassado pelo cliente exportador, a operação nacional também pode tornar-se inviável.

A cláusula de força maior é pouco aplicável nesse contexto, pois tarifas resultam de ação deliberada de governos ou autoridades regulatórias, e geralmente não configuram eventos imprevisíveis que impossibilitam uma obrigação. Em contrapartida, a cláusula de hardship pode ser mais eficaz — desde que esteja redigida com clareza e detalhe.

Karen recomenda que contratos globais contemplem:

  • Previsões específicas sobre alteração de tarifas
  • Composição de preços e responsabilização por custos
  • Revisão periódica ou mecanismos de renegociação
  • Definição clara de foro jurídico ou arbitragem internacional

Ela também ressalta a importância de uma cultura de negociação baseada em confiança e boa-fé:

“Empresas que demonstram disposição ao diálogo evitam ações judiciais longas e custosas. A renegociação, muitas vezes, preserva operações, contratos e confiança no mercado.”

Para Karen, o pior caminho agora seria a judicialização imediata.

“Mesmo sem cláusulas específicas de reequilíbrio, o diálogo é o melhor caminho. A operação não pode parar. Litígios judiciais ou arbitrais tendem a aumentar custos, travar entregas e comprometer relações estratégicas. Já empresas que negociam com transparência e boa-fé ganham reputação no mercado e mostram preparo para lidar com cenários adversos”, finaliza.

Sobre a especialista:
Karen Ebaid é advogada e sócia das áreas de Contratos, Cível e Imobiliário do Duarte Tonetti Advogados. Atua diretamente na estruturação de operações empresariais, com ênfase em negociações contratuais e imobiliárias. Possui experiência na assessoria jurídica a empresas dos setores de varejo, indústria e farmacêutica.

Fonte: Agência 2205

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