Escola Digital da Melhor Idade, curso da Fundação Florestan Fernandes, ajuda o público maduro a usar apps de celular, redes sociais, internet e a evitar golpes
Uma das alunas da formação, Célia Dias Santos, 69 anos, é um exemplo do acerto da iniciativa. “Antes do curso não conseguia usar o celular para muita coisa. Eu tinha vontade, mas em casa ninguém me ensinava. Uma vez fiquei muito doente e precisei falar com o vizinho para ele chamar um carro pelo aplicativo. Mas hoje eu consigo me ‘desenrolar’ sem pedir ajuda de ninguém, sei me virar. Eu sou comerciante e aprender a usar o pix ajudou meu comércio.” Para ela, hoje em dia é quase obrigatório entender pelo menos um pouco sobre esse mundo digital.
Gilberto Hortalino De Gouveia, 65, morador do Jardim Olga, é outro aluno que está satisfeito com a oportunidade de aprender coisas novas. “Esse curso me ajudou bastante. Tinha coisas que eu não tinha condições de fazer e outras eu tentava, mas precisava de ajuda. Estava sempre pedindo ajuda para um ou outro.”
Para Gilberto, uma das vantagens da formação é aprender a comprar coisas pela internet sem medo. “Não tinha esse hábito até por causa dessas dificuldades. Uma vez comprei on-line duas câmeras e não veio a que eu queria. Acredito que eu deva ter errado alguma coisa. E nem pude devolver porque já tinha passado muito tempo”, afirma.
Sobre o que ele acha que foi importante ter aprendido no curso, Gilberto não tem dúvida. “Foi poder começar a pedir comida para entregar em casa. Antes eu não pedia, não me arriscava.”
Já a aluna Elza Octavia da Conceição, 81, da Vila Conceição, que nunca gostou nem de usar o celular, agora não tem dúvida sobre a importância do aparelho. “Aprendi muita coisa e agora consigo atender o celular, falar com meus filhos, e uso a câmera quando ligo para parentes no interior”, completa, com um sorriso no rosto.
Alguns dos conteúdos trabalhados pelo professor Fábio Lopes Guerreiro ao longo da formação são o básico sobre o uso do celular (Android), inclusive questões de segurança e WhatsApp; YouTube e entretenimento digital; serviços governamentais e documentos digitais, como o cadastro no GOV.BR , e serviços relacionados a INSS, SUS, CNH Digital, Carteira de Trabalho Digital, FGTS, CPF digital, título de eleitor online; aplicativos bancários e pagamentos digitais; o que é um QR Code e como utilizá-lo; compras online seguras; como identificar golpes e fraudes; e o computador e suas funcionalidades, inclusive como utilizar mouse, teclado, pendrive e impressora.
Guerreiro cita uma situação para descrever a importância de todos se inteirar sobre as potencialidades, e riscos, das novas tecnologias. “O marido de uma aluna sofreu um golpe pelo celular na conta de banco. A gente conseguiu intervir e o banco vai devolver o dinheiro. O resultado disso tudo é que, agora, ele também se interessou e pretende se matricular no curso.”
A formação inteira tem 60 horas e as aulas acontecem uma vez por semana. O segundo ciclo teve início em julho e a formatura está prevista para acontecer em dezembro.


