Atividade está acontecendo nos CRAS da cidade, com foco na população idosa
Na manhã desta quarta-feira (11), a Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Creppir) deu prosseguimento às atividades da 24ª Kizomba, com uma oficina de moda afro sustentável realizada para cerca de 20 frequentadoras do CRAS Inamar, no CEU das Artes, em parceria com a Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SASC).
Segundo a estilista e afroeempreendedora Aline Costa, responsável pela oficina, essa é a oportunidade de explorar temas como empreendedorismo, história dos tecidos africanos e sustentabilidade. “A moda é uma atividade que gera muitos retalhos, que podem ser reaproveitados, diminuindo o lixo produzido e até gerando renda. Essa é a proposta. Aqui vamos aprender a reutilizar os tecidos, aprender um pouco sobre a África e até como usar a customização para produzir roupas e bolsas para revender.”
Uma das participantes era Claudinete Barbosa da Silva, 55, original de Salvador, Bahia. Agora vivendo em Diadema, surpreendeu-se ao rever as cores com as quais estava tão acostumada quando morava “bem perto do Pelourinho”: “É muito importante para nós, que somos negros, não nos vermos rejeitados, mas termos consciência do nosso valor, da nossa qualidade. E estou vendo isso aqui na Kizomba, o quanto que a nossa história ecoa e pode fazer a diferença na vida das pessoas”, afirmou.
Na atividade, ela e as outras participantes aprenderam que um tecido africano não é só aquilo que veste, mas algo que conta uma história. “Cada tribo, cada povo tem uma tecido, uma cor. Conhecer esses relatos é reconhecer a nossa origem. Com certeza, é um conhecimento que vou passar para os meus filhos, netos e sobrinhos”, resumiu Claudinete.
Quem achou “tudo lindo” foi Dona Cida, 83, que viu o nascimento do bairro Inamar, onde mora até hoje com os 5 filhos, 9 netos e 3 bisnetos: “Eu sempre costurei, aprendi com a minha mãe, e gosto demais desses estampados. Agora, conhecendo a história, gostei mais ainda”, contou. Ela disse que já viu muitos casos de racismo e que oficinas assim contribuem para diminuir o preconceito. “Às vezes, a gente acha que o coração da pessoa é ruim, mas é a cabeça, né? Falta educação. Quanto mais atividades como essa, mais vai ajudando. Que bom que a Prefeitura apoia.”
Apoia e continuará apoiando, segundo a coordenadora Célia Aparecida da Silva, do Creppir. “Essa atividade foi proposta pela Coordenadoria depois de uma atividade realizada sobre o tema no mês de julho, que gerou muita demanda e pedidos por mais oficinas. Além desta, conseguimos fechar mais três, em diferentes locais, para atender a todos.”
As próximas oficinas acontecem nos dias 12, 18 e 27 de novembro. Os interessados devem procurar suas unidades de referência:
12/11 – Quarta-feira – CRAS Serraria – Av. Lico Maia, 256 – Serraria – 10h
18/11 – Terça-feira – CCMI – Rua Paquetá, 23 – 10h
27/11 – Quinta-feira – CRAS Eldorado – Av. Nossa Sra dos Navegantes,1090 – 10h
Festa Banto – A palavra “Kizomba” vem do tronco linguístico Banto, grande conjunto de línguas do grupo nigero-congolês oriental faladas na África. Na língua Kimbundo, uma das muitas faladas em Angola, significa “festa”. Em Diadema, a Kizomba – Festa da Raça é organizada pela Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (CREPPIR), em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, a Câmara Municipal de Diadema e o Movimento Negro da cidade.


