Especialista alerta que data comercial distorce a percepção de necessidade e valor e cria um falso senso de vantagem
A Black Friday chega todos os anos com a mesma promessa: economizar. Mas por trás dos banners chamativos e das contagens regressivas, há um fenômeno mais profundo que é o do consumo sem reflexão, embalado pela sensação de vantagem imediata. A ideia de pagar menos se transforma, muitas vezes, em um gatilho para gastar mais, o que revela uma confusão comum entre consumo e consumismo.
Consumir faz parte da vida moderna. Envolve atender necessidades reais, como alimentação, moradia, transporte e lazer planejado, enquanto o consumismo aparece quando o ato de comprar se torna uma resposta emocional na tentativa de preencher vazios ou seguir tendências, mesmo sem necessidade, e é aí que mora o perigo, quando o desejo se confunde com o que é prioridade.
Na Black Friday, essa fronteira fica especialmente tênue, porque o marketing cria a ilusão de que a oportunidade é única e a decisão deve ser imediata. Para entender o que é essencial e o que é supérfluo, a especialista em planejamento financeiro Adriana Ricci sugere um exercício simples. Observar se o item desejado resolve um problema concreto ou apenas desperta vontade. Se a compra puder esperar, provavelmente não é essencial e essa autorreflexão, ajuda a desenvolver consciência financeira e evita arrependimentos.
“A Black Friday tem tudo para promover o desequilíbrio orçamentário e a recomendação que eu sempre dou é aplicar a regra dos 50-30-20: 50% da renda líquida para necessidades básicas, 30% para desejos e estilo de vida e 20% para investimentos ou reserva de emergência. Dentro dessa lógica, os gastos fora do consumo padrão como promoções, viagens e presentes devem estar nos 30%. Isso permite aproveitar oportunidades sem comprometer o planejamento”, diz.
Claro que quando bem administrada, a Black Friday pode até ser uma aliada do orçamento, o problema surge quando a compra vem antes do cálculo. “Planejar é o antídoto do impulso. Fazer uma lista de prioridades antes das promoções, comparar preços com antecedência e estabelecer um limite máximo de gasto, preferencialmente em dinheiro ou débito para evitar a ilusão do crédito fácil, ajudam bastante”, recomenda a especialista.
A grande lição para essa época onde os holofotes estão totalmente voltados para o consumo é que o desconto real não está no preço, mas na escolha consciente. A data pode até distorcer a percepção de valor, mas também pode ensinar sobre limites, prioridades e autocontrole. No fim, o maior investimento é aprender a dizer não e isso, ao contrário das promoções, nunca sai de moda.
“Entre as dicas práticas para evitar o consumismo estão adiar a compra por 24 horas antes de concluir o pagamento, revisar o carrinho on-line e perguntar a si mesmo se aquele produto seria adquirido pelo preço integral. Outra estratégia é ativar alertas de preço com antecedência, em vez de navegar livremente durante as promoções, o que reduz o impacto dos estímulos visuais”, finaliza a fundadora da SHS Investimentos.
Sobre a especialista:
Adriana Ricci é especialista em investimentos e tem 25 anos de atuação no mercado financeiro. É fundadora, gestora e head de Operações da SHS Investimentos, empresa que atua no mercado financeiro desde 2008 e atua em São José dos Campos, SP.
Possui certificações pela Ancord como Assessora de Investimentos, pela Anbima no PQO, Programa de Qualificação Operacional da Bolsa de Valores, e CPA-20, e pela Febraban, a FBB-100. Bacharel em Administração e Financista, pós-graduada com MBA em Finanças, Auditoria e Controladoria pela FGV.
Fonte: Maxima SP


