Longa brasileiro saiu sem estatuetas, mas mobilização nacional durante a cerimônia mostrou como conquistas culturais despertam orgulho e pertencimento no país

Milhões de brasileiros trocaram horas preciosas de sono na noite de domingo (15) para acompanhar, diante de televisões, celulares e computadores, a 98ª cerimônia do Oscar. A expectativa girava em torno do ator Wagner Moura e do filme O Agente Secreto, que chegou à premiação com quatro indicações e alimentou a esperança de repetir ou até superar o feito histórico conquistado em 2025 por Eu Ainda Estou Aqui e Fernanda Torres.

Ambientado durante a ditadura militar no Brasil em 1977, o longa entrou na disputa nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Direção de Elenco. Wagner Moura concorreu como Melhor Ator. O Brasil ainda manteve uma quinta chance com o diretor de fotografia Adolpho Veloso, indicado por Sonhos de Trem. Apesar da torcida intensa, nenhuma das produções brasileiras levou estatuetas nesta edição.

Mesmo sem vitória, o impacto emocional atravessou o país inteiro. Da Amazônia ao Sul, a sensação coletiva lembrou momentos esportivos históricos. Nas redes sociais e em transmissões ao vivo, espectadores acompanharam cada anúncio de categoria como se fosse a decisão de um campeonato mundial.

A psicóloga Êdela Nicoletti, especialista em Terapia Comportamental Dialética, explicou que esse envolvimento não acontece por acaso. Segundo ela, conquistas simbólicas funcionam como espelhos coletivos da identidade nacional. “Quando um artista brasileiro chega a um palco como o Oscar, ele não representa apenas a própria carreira. Ele passa a simbolizar um país inteiro que deseja reconhecimento, pertencimento e validação cultural. A vitória de um compatriota ativa um sentimento de orgulho coletivo muito semelhante ao que acontece no esporte, porque as pessoas sentem que fazem parte daquela conquista”, afirmou.

Para a especialista, o fenômeno também se conecta a um desejo social mais profundo de reconhecimento internacional. “Em países que historicamente buscam afirmação cultural no cenário global, esses momentos funcionam como uma espécie de confirmação simbólica de valor. Mesmo quando o prêmio não vem, a simples presença entre os indicados já gera identificação e mobiliza emoções muito intensas.”

O comportamento se ampliou nessa era digital. Comentários em tempo real, memes e transmissões coletivas criaram a sensação de torcida organizada em escala nacional. A premiação, que tradicionalmente mobiliza cinéfilos, passou a envolver também pessoas que raramente acompanham o cinema internacional.

Embora O Agente Secreto não tenha levado a estatueta, a presença do Brasil entre os indicados mais comentados da cerimônia reforçou o espaço crescente do país no cinema mundial. No fim, a mobilização coletiva mostrou que, no Brasil, conquistas culturais também ganham clima de final de campeonato.

Êdela Aparecida Nicoletti

Psicóloga e especialista em Terapia Comportamental Dialética (DBT), Êdela Aparecida Nicoletti é uma das pioneiras na formação de profissionais brasileiros na abordagem criada por Marsha Linehan. Possui especialização em DBT pela Behavioral Tech, em Seattle, além de formação em Terapia Cognitivo-Comportamental e certificação internacional para tratamento de transtorno de estresse pós-traumático. Atua como diretora do Centro de Terapia Cognitiva Veda e dedica-se à formação e supervisão clínica de profissionais da saúde mental. Êdela também integra programas internacionais de ensino e é professora honorária da equipe formadora do Instituto Nora Cavaco. Sua atuação concentra-se no desenvolvimento de protocolos clínicos, capacitação de terapeutas e disseminação da DBT como abordagem baseada em evidências para o tratamento de transtornos emocionais complexos.

DBT Brasil

A DBT Brasil é uma iniciativa dedicada à formação, disseminação científica e aplicação clínica da Terapia Comportamental Dialética (DBT) no país. A abordagem foi desenvolvida pela psicóloga norte-americana Marsha Linehan e é considerada uma das terapias com maior evidência científica para o tratamento de transtornos emocionais complexos. A instituição atua na capacitação de psicólogos e profissionais da saúde mental por meio de cursos, treinamentos e programas de especialização baseados nos protocolos internacionais da DBT. A formação contempla habilidades centrais como regulação emocional, tolerância ao estresse, efetividade interpessoal e mindfulness aplicado à vida cotidiana. Além da formação profissional, a DBT Brasil também se dedica à produção de conteúdo educativo e à conscientização pública sobre saúde mental, contribuindo para ampliar o acesso a tratamentos baseados em evidências e reduzir o estigma associado a transtornos psicológicos.

Fonte: Bittenca

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site é protegido por reCAPTCHA e pelo Googlepolítica de Privacidade eTermos de serviço aplicar.

O período de verificação do reCAPTCHA expirou. Por favor, recarregue a página.