Construído em 1967, layout do traçado espanhol é reminiscência dos tempos heroicos do automobilismo mundial
O Circuito del Jarama será a sede do ePrix de Madrid, a ser disputado neste sábado (21) com a participação do brasileiro Lucas Di Grassi. Construído em 1967 a 30km da capital espanhola, o traçado foi idealizado pelo holandês John Hugenholtz, que projetou outras pistas icônicas e “old school”, como Zolder (Bélgica, em 1963), Suzuka (Japão, 1962) e Zandvoort (Holanda, 1963) – esta última em parceria com o também ex-piloto britânico de Endurance Sammy Davis.
Idealizado com o olhar de uma época que privilegiava fluidez e velocidade, mas sem muita ênfase na segurança, Jarama possui um desenho sem concessões à filosofia moderna de pistas largas e grandes áreas de escape. Com 3.934 metros e 14 curvas, o traçado combina curvas velozes com súbitas mudanças de direção e desníveis topográficos – bem ao estilo dos autódromos da era romântica da F-1. A última corrida disputada pela F-1 naquele circuito aconteceu em 1981, com os cinco primeiros colocados separados por apenas 1s2 e vitória do Ferrari 126CK de Gilles Villeneuve, um dos pilotos mais arrojados da História.
A estreia oficial de Jarama na Fórmula E marcará também o retorno do Mundial à Espanha, após cinco anos de ausência. A única oportunidade em que a categoria esteve naquele traçado aconteceu em novembro de 2024, quando os testes oficiais de pré-temporada foram transferidos para lá em virtude dos alagamentos ocorridos na região do autódromo de Valência, também na Espanha.
Pista exigente – “Pela fluidez, trechos de pé embaixo no acelerador e limitada margem de erro, é uma pista exigente do ponto de vista técnico, que demanda do piloto muita confiança no carro”, define o brasileiro Lucas Di Grassi. “Como o traçado foi definido em grande parte pela topografia natural, temos as subidas, descidas e mudanças de direção – características marcantes da personalidade dessa pista. Somando tudo isso, é mesmo um traçado interessante”, continua Di Grassi, cujo foco atual é desenvolver o carro da equipe Lola Yamaha Abt.
Uma nova chicane no final da reta dos boxes deve ser um dos principais pontos de ultrapassagem. Com 23 voltas, a etapa espanhola será também a primeira da temporada no formato rodada simples – com apenas uma prova – que contará com o pit boost, um pit stop no qual os carros entram no box para receber uma carga extra e rápida de energia. A prova também contará com o brasileiro Felipe Drugovich, que compete pela equipe Andretti. Após cinco etapas, a liderança é do alemão Pascal Werhlein, da Porsche, com 68 pontos.


