*Por Ingrid Devisate, vice-presidente executiva do Instituto Foodservice Brasil (IFB)
Os medicamentos Ozempic e Mounjaro, que se tornaram fenômenos globais no controle da saciedade e do peso, estão transformando o comportamento alimentar e pressionando a indústria da alimentação a se adaptar. Ao agir no cérebro e retardar o esvaziamento gástrico, os agonistas do receptor GLP-1 não apenas diminuem o apetite, mas também alteram a percepção de prazer e necessidade em torno da comida, o que muda toda a lógica de consumo no foodservice.

De acordo com a pesquisa GLP-1 Consumer Research, da Kerry (EUA, agosto/2024), usuários dessas terapias reduzem 21% da ingestão calórica anual, e 97% diminuíram seus gastos com alimentação domiciliar após iniciar o tratamento. Outro estudo, do Grocery Doppio, mostra que seis em cada nove famílias reduziram significativamente os gastos com alimentação nos primeiros seis meses de uso. A previsão é que o mercado global desses medicamentos supere US$ 100 bilhões até 2030, crescendo a taxas acima de 50% ao ano.

Os impactos já são visíveis nos hábitos. 65% dos consumidores priorizam proteínas, 51% substituem refeições por shakes ou smoothies e 12% a 13% da população adulta já experimentou o uso de GLP-1, sendo que metade não tem diagnóstico de diabetes tipo 2. Além disso, a experiência alimentar mudou: 35% relatam náuseas, 24% diarreia e 22% constipação, o que tem impulsionado a demanda por alimentos funcionais, probióticos e produtos que favorecem a absorção de nutrientes.

Essa transformação abre uma fronteira inédita para a indústria. O consumidor do futuro será aquele que busca nutrição eficiente, funcional e prazerosa, uma combinação que exigirá inovação em formulação, tecnologia de ingredientes e personalização. O foodservice que entender esse novo comportamento não apenas sobreviverá à disrupção, mas poderá liderar uma das maiores revoluções nutricionais do século.

*Ingrid Devisate é co-fundadora e diretora-executiva do Instituto Foodservice Brasil (IFB) – E-mail: ifb@nbpress.com.br.

Sobre o Instituto Foodservice Brasil
Fundado em 2013, o Instituto Foodservice Brasil (IFB) é um ecossistema que representa a união da cadeia de valor, com fabricantes, prestadores de serviços e operadores de estabelecimentos que, juntos, buscam soluções para temas que impactam o mercado de alimentação fora do lar e o consumidor, por meio de fornecimento de dados de mercado e do desenvolvimento de inteligência, tecnologia & inovação, ESG e iniciativas ligadas a relações governamentais, institucionais e jurídicas.
Fonte: NB Press Comunicação        
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