Pesquisas reforçam que praticidade e a busca por pequenas recompensas cotidianas estão transformando o comportamento de consumo dos brasileiros
Produtos vistos em vídeos de poucos segundos, compras realizadas entre uma tarefa e outra do dia e carrinhos preenchidos com itens de baixo valor: o consumo rápido, acessível e impulsionado pela praticidade ganha cada vez mais espaço na rotina dos brasileiros. O avanço de plataformas como TikTok Shop e Shopee, somado ao crescimento de redes físicas com política de preço máximo, revela uma mudança importante no comportamento de consumo: o público continua comprando, mas passou a priorizar conveniência, sensação de controle financeiro e pequenas recompensas no dia a dia.
O movimento acompanha a expansão do varejo nacional. Segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), o faturamento do setor cresceu 0,6% em março de 2026, já descontando a inflação, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Mesmo em um cenário de maior cautela financeira, o consumo segue aquecido, impulsionado por um comportamento mais voltado à praticidade, conveniência e controle de gastos. Uma pesquisa da Harris Poll reforça essa tendência ao apontar que 43% dos consumidores pretendem migrar para produtos mais baratos, enquanto 26% buscam novos varejistas para economizar.
Ao mesmo tempo, o entretenimento passou a ocupar um papel central dentro da jornada de consumo. O TikTok se consolidou como um dos principais exemplos desse fenômeno ao transformar vídeos curtos, recomendações espontâneas e conteúdos virais em ferramentas diretas de conversão. Segundo pesquisa da Opinion Box, 49% dos brasileiros já compraram um produto ou contrataram um serviço após descobrirem algo na plataforma. Entre os entrevistados, 52% afirmam que anúncios feitos por influenciadores despertam interesse de compra, enquanto 45% preferem adquirir produtos divulgados por criadores de conteúdo que acompanham frequentemente.
A Shopee também acompanha esse avanço acelerado do varejo orientado à conveniência. Em maio de 2026, a companhia inaugurou três novos centros de distribuição no Brasil, estrutura que amplia sua capacidade para mais de 700 mil pedidos processados diariamente e gerou aproximadamente 900 vagas de trabalho.
Embora o ambiente digital tenha acelerado a velocidade das decisões de compra, o varejo físico popular também acompanha esse movimento impulsionado pela busca por conveniência, variedade e baixo impacto financeiro por produto. Redes com posicionamento acessível passaram a ocupar um espaço importante dentro da nova lógica de consumo, principalmente entre consumidores que priorizam praticidade sem deixar de lado a sensação de satisfação imediata.
Segundo Rogério Zorzetto, CEO e fundador da Prioridade 10, franquia de varejo com itens até R$30 reais, o crescimento desse modelo está diretamente ligado às transformações recentes no comportamento da população. “O consumidor continua comprando, mas hoje existe uma atenção muito maior ao valor percebido de cada item. Produtos acessíveis permitem resolver necessidades do dia a dia sem gerar um peso tão grande no orçamento”, afirma.
Dentro desse cenário, categorias ligadas à funcionalidade da rotina passaram a ganhar força. Itens de organização, utilidades domésticas, vestuário básico, decoração e produtos sazonais aparecem entre os segmentos que mais crescem dentro do varejo popular. Para o executivo, existe uma mudança clara na relação emocional com o consumo. “Hoje as pessoas buscam compras que tragam praticidade, conforto e sensação imediata de utilidade. O consumo ficou menos ligado ao excesso e mais conectado à resolução rápida de pequenas demandas do cotidiano”, explica.
O modelo de preço máximo também reduz barreiras na decisão de compra. Ao encontrar variedade dentro de uma faixa previsível de valor, o consumidor tende a comprar com mais frequência e menor sensação de risco financeiro. “Quando existe previsibilidade de preço, a experiência de compra se torna mais leve e objetiva. Isso gera recorrência e fortalece a confiança do consumidor”, destaca Zorzetto.
Esse comportamento ajuda a explicar o crescimento de redes varejistas com foco em acessibilidade no país. A Prioridade 10, por exemplo, projeta alcançar receita de R$ 265 milhões em 2026 e ultrapassar a marca de 110 lojas ainda neste ano. Atualmente, a empresa conta com 100 unidades distribuídas entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
O desempenho da rede acompanha as mudanças observadas dentro do próprio varejo popular. Em 2025, o segmento de vestuário liderou as vendas da empresa, representando 36,87% do faturamento total. Em seguida aparecem utilidades domésticas, responsáveis por 28,74%, além de brinquedos e itens de decoração, que juntos superaram 9% da receita anual.
Outro fator que impulsiona esse crescimento está na expansão do consumo em cidades de pequeno e médio porte. Fora dos grandes centros urbanos, consumidores passaram a buscar operações organizadas, com maior variedade de produtos e preços acessíveis, movimento que acelerou a interiorização do varejo popular nos últimos anos.
“Muitas cidades ainda possuem demanda reprimida por varejo estruturado. Quando chega uma operação com variedade, preço acessível e facilidade de compra, a resposta costuma acontecer rapidamente”, conclui o executivo.
A Prioridade 10, fundada em 2014, é uma rede de franquias de lojas especializada em oferecer produtos de qualidade por preços acessíveis que, em 2024, obteve um faturamento de R$ 250 milhões. Com uma variedade de produtos que vão desde itens como: vestuário, brinquedos, presentes e produtos sazonais, a marca é uma excelente opção para investir o capital e tornar-se um empreendedor de sucesso.
Investimento inicial: a partir de R$690 mil
Faturamento médio mensal: R$ 197 mil
Prazo de retorno: 18 a 24 meses


