Brasileiro larga em vigésimo e escala o pelotão em prova noturna interrompida duas vezes pela chuva

Caio Collet teve no oval curto de St Louis mais uma apresentação consistente em sua campanha de estreia na Indycar. Depois de liderar nas 500 Milhas de Indianápolis no mês passado, o estreante mais uma vez encabeçou o pelotão em um oval na maior categoria de monoposto das Américas. O Chevrolet Combitrans #4 teve uma performance de protagonista até o motor estourar a poucas voltas da bandeirada quando ocupava o sexto lugar.

O final de prova frustrante não apaga a bela apresentação do piloto da AJ Foyt Racing, que largou em vigésimo e já avançou seis posições quando veio a bandeira verde iniciando a prova.

Com bom ritmo e aproveitando bem o jogo de vácuo para salvar combustível, Collet estendeu seu stint inicial até a volta 55. Ele entrou para seu primeiro pitstop na liderança da corrida e justamente a primeira bandeira amarela da noite veio enquanto o brasileiro finalizava seu serviço no box.

A relargada veio na volta 63 e Collet era nono. Ele ganhou duas posições quando a corrida foi reiniciada e logo abriu ataque sobre Scott Dixon, até concretizar a ultrapassagem na volta 78. Então partiu para ataque sobre Kyle Kirkwood, que acabou finalmente superado algumas voltas mais tarde.

Na altura da centésima volta, a segunda rodada de pitstops em bandeira verde foi inaugurada. Collet já havia sido o último entre os ponteiros a parar e conseguiu ampliar mais uma vez seu stint, trabalhando de forma efetiva o gerenciamento de combustível. Ele era segundo colocado na volta 109 e assumiu a liderança pela segunda vez na noite no giro seguinte, permanecendo em primeiro lugar até a volta 114, quando foi chamado para box novamente para troca de pneus e reabastecimento.

Então veio a segunda bandeira amarela da prova, com o #4 em quinto depois de sua parada. Apenas os cinco primeiros estavam na volta do líder e alguns concorrentes aproveitaram a prova em amarela para voltar aos pits e completar o tanque. Assim Collet subiu para segundo lugar, atrás apenas de Marcus Ericsson.

A neutralização se prolongou por um carro com pane seca quando o pelotão se preparava para relargar e depois por conta de uma fina garoa, que virou chuva leve e precipitou o acionamento da bandeira vermelha na volta 137. A prova já havia superado a barreira de 131 voltas, de modo que era uma corrida oficial àquela altura.

Após 38 minutos interrompida, a corrida foi retomada, com a bandeira verde agitada na volta 144. Collet era segundo, bastante pressionado por Josef Newgarden (que acabaria vencendo a corrida). O piloto Penske eventualmente ganharia a posição do brasileiro, mas como nos stints iniciais Collet manejou com habilidade o consumo de seu carro, até volta a liderar na volta 179 com mais um ciclo de paradas em bandeira verde. Ele levou seu carro para os pits pela terceira vez na volta 182 e saiu em 11º.

Naquela altura alguns concorrentes haviam arriscado uma estratégia diferente, tendo reabastecido na longa amarela antes da interrupção pela chuva. Collet havia caído momentaneamente fora da volta do líder, em sétimo, quando ultrapassou Scott Dixon para retornar ao mesmo giro. Mas a manobra foi concretizada justo quando houve nova bandeira amarela com o retorno da chuva e ele devolveu a posição na pista.

A bandeira vermelha voltou a ser agitada na volta 200. Dixon e Alex Palou, que haviam arriscado em outra janela de paradas no stint anterior, acabaram com pane seca. O neo-zelandês foi forçado a entrar no box com o pitlane fechado e acabou punido depois, enquanto o tetracampeão se arrastou nos boxes sem uma gota em seu tanque na volta 2024. Collet inclusive acabou trancado atrás do carro do espanhol ao finalizar sua quarta parada, deixando a área de box em quinto.

A relargada veio na volta 213, com os engenheiros calculando o consumo para uma tentativa de ficar na pista até a quadriculada na 260. Collet relargou atrás do retardatário Mick Schumacher e acabou trancado atrás do alemão, o que favoreceu ataque de outro oponente. Ele caiu para sexto e estava no ritmo dos ponteiros até a volta 228, quando o motor de seu carro não aguentou, ocasionando mais uma bandeira amarela.

Era o fim de uma das melhores apresentações do novato brasileiro em sua jornada nos Estados Unidos.

A próxima etapa da Indycar acontece em Road America, marcando o início da segunda metade do calendário 2026, no dia 21 de junho.

O que ele disse:
“Realmente não temos muito o que falar sobre o final. A gente executou uma corrida excepcional, tanto da minha parte quanto dos mecânicos e engenheiros. A estratégia foi a melhor possível desde o começo até o fim. Minhas paradas foram todas muito boas e também fiz boas largadas e relargadas, com boas ultrapassagens. Estava a corrida toda entre os cinco primeiros, chegamos a liderar. Estava firme na busca pelo top5 no final. Infelizmente teve a quebra do motor, algo que foge do controle de todos… São coisas que acontecem no automobilismo. Óbvio que é muito frustrante. Seria um grande resultado terminar entre os cinco primeiros largando de vigésimo. Mas são coisas do nosso esporte, vamos erguer a cabeça e seguir em frente. Teve muita coisa positiva neste fim de semana, fizemos algumas mudanças internamente na equipe e tudo correu na direção certa. Estamos bem competitivos e agora é encaixar um fim de semana sem problemas fora do nosso controle, pois mostramos que temos bastante chance de fazer um bom resultado”
Caio Collet

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