Casos registrados na SPA 570/294 reforçam a necessidade de medidas para proteger animais e motoristas; proposta prevê implantação de passagens de fauna, cercamentos e outras estruturas de mitigação
Mais de 37 mil mamíferos são atropelados anualmente nas rodovias do estado de São Paulo, segundo levantamento divulgado pela Universidade de São Paulo (USP). Em todo o Brasil, estimativas do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE) apontam que cerca de 475 milhões de animais silvestres morrem atropelados todos os anos, o equivalente a aproximadamente 15 animais por segundo.
A dimensão desse problema voltou a ganhar destaque após uma sequência de atropelamentos de capivaras registrada nas últimas semanas na rodovia SPA 570/294, entre Sagres e Osvaldo Cruz, na região da Nova Alta Paulista. Os casos têm preocupado moradores e colocado em evidência a necessidade de medidas que protejam tanto a fauna quanto os motoristas que trafegam pelo trecho.
Moradores relatam que os acidentes têm se tornado frequentes, principalmente no período noturno, quando os animais atravessam a pista em busca de água e alimento. A situação mobilizou lideranças locais e aumentou a pressão por ações da concessionária responsável pela rodovia e do Governo do Estado.
Entre os moradores que acompanham o problema está o presidente do PT de Sagres, Damião Silva, que afirma ter presenciado diversos atropelamentos nas últimas semanas. Segundo ele, os acidentes continuam acontecendo mesmo após alertas feitos aos responsáveis pelo trecho. “A responsável pelo local, que é a Concessionária Eixo, na vicinal de Sagres a Osvaldo Cruz, sempre, além desse acidente [com meu filho], pelo menos mais uns seis ou sete acidentes de três semanas para cá vêm acontecendo”, afirma.
Damião relata que chegou a registrar imagens para alertar sobre a presença dos animais próximos à pista. “Fiz o vídeo no dia 3 de junho, fiz os bichinhos voltarem para dentro da mata, para a área delas. Quase agora, há uns 40 minutos, outro acidente, outro carro matando capivara na pista. Dá muita dó”, conta.
Além do impacto ambiental, o morador destaca o risco para motoristas e passageiros que circulam pela rodovia. “É preciso uma ação urgente da concessionária e do Governo do Estado, que tem sido completamente omisso sobre isso. O quanto antes, porque isso aí foi só num acidente com meu filho. Imagina, teve mais uns seis ou sete. Quanto disso vai continuar?”, questiona.
A preocupação dos moradores é reforçada por estudos científicos que apontam os impactos dos atropelamentos para a conservação da fauna. Uma pesquisa conduzida pela USP revelou que grande parte dos animais mortos nas rodovias estava em boas condições de saúde e em idade reprodutiva.
Segundo o professor José Luiz Catão-Dias, orientador do estudo, os atropelamentos provocam uma perda significativa para as populações naturais. “O trauma veicular retira das populações naturais a ‘nata’ reprodutiva. Essa é a informação mais impactante da pesquisa”, afirma.
Em meio às cobranças por providências, um projeto em tramitação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) propõe medidas para reduzir esse tipo de acidente. O Projeto de Lei 460/2025, de autoria do deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT), prevê a implantação de passagens para animais silvestres em rodovias estaduais e intermunicipais, além de cercamentos direcionadores e outras estruturas de mitigação.
A proposta já recebeu pareceres favoráveis nas comissões de Constituição, Justiça e Redação e de Transportes e Comunicações. Atualmente, aguarda análise da Comissão de Finanças antes de seguir para votação em plenário.
Segundo o deputado, a iniciativa surgiu após ouvir moradores preocupados com acidentes envolvendo animais em rodovias paulistas. “Esse projeto surgiu de um diálogo com moradores de Cajamar, preocupados com o constante atropelamento de animais e que acabaram causando sérios acidentes na Rodovia Anhanguera”, explica.
Marcolino afirma que o objetivo da proposta é garantir mais segurança para pessoas e animais. “A proposta tem como objetivo proteger a vida. A vida das pessoas e dos animais silvestres e até dos domésticos que acabam atravessando as rodovias de São Paulo”, destaca.
Especialistas defendem que a combinação de passagens de fauna, cercamentos, túneis, viadutos verdes e sinalização específica está entre as estratégias mais eficientes para reduzir atropelamentos. Experiências realizadas em rodovias paulistas indicam que essas estruturas podem reduzir em até 80% a mortalidade de animais quando implantadas de forma integrada.
Com o avanço do projeto na Alesp, cresce a expectativa de que soluções já utilizadas em outros trechos possam ser aplicadas também em pontos críticos como a SPA 570/294, conciliando preservação ambiental e segurança viária para motoristas e passageiros.
Fonte: TKS Comunicação


