Catarinense de 19 anos finalizou sua temporada de estreia no campeonato brasileiro com rápida adaptação e entrou para a história da competição ao se tornar o brasileiro mais jovem a escalar o topo do pódio no sul-americano. Agora, o piloto vislumbra o próximo passo na categoria

A noite de 20 de junho, em Cuiabá (MT), representou um importante marco na carreira do jovem Erick Schotten. Foi naquele momento, no iluminado Autódromo Internacional do Mato Grosso, que o piloto de Timbó venceu pela primeira vez no TCR South America — conhecido popularmente como ‘Libertadores do Automobilismo’ por reunir alguns dos maiores expoentes do esporte a motor na América do Sul. Aos 19 anos, Erick refletiu toda a sua rápida adaptação à categoria ao tornar-se, segundo registros disponíveis, o brasileiro mais jovem a vencer uma corrida na competição, que acelera no continente desde 2021.

O chamado conceito TCR (Touring Car Race, ou corridas em carros turismo, em tradução livre) foi criado em 2014 pelo empresário e promotor italiano Marcello Lotti e consiste na premissa em utilizar os mesmos regulamentos e carros homologados em campeonatos TCR ao redor do mundo, o que permite o intercâmbio entre pilotos e marcas a um custo razoável. Desta forma, um piloto que corre habitualmente no TCR South America pode disputar provas da categoria organizadas em qualquer outro país ou continente no mesmo nível que os demais concorrentes. Ou mesmo etapas do mundial, o chamado TCR World Tour, com os ‘cobras’ da modalidade.

A presença das montadoras também é digna de nota. No campeonato sul-americano e na sua versão brasileira aceleram carros de marcas como Hyundai, Honda, Audi, Cupra, Peugeot e Lynk & Co. Entre os pilotos, estão nomes que reúnem muita experiência, como o brasileiro Nelson Piquet Jr. (primeiro campeão da Fórmula E e com passagem pela Fórmula 1, NASCAR e FIA WEC), os também brasileiros Raphael Reis e Pedro Cardoso, além do argentino Leonel Pernía e o uruguaio Juan Manuel Casella, todos considerados ‘casca grossa’ no conceito TCR.

Com toda a sua experiência prévia baseada em carros de tração traseira, Erick Schotten estreou no TCR South America ainda aos 18 anos pela equipe carioca W2 Racing ProGP, a mesma que defende desde 2024 na Stock Light. O desafio de guiar o Cupra León VZ, carro de tração dianteira adotado por seu time, exigiu uma pilotagem bastante diferente ao qual estava habituado. O novo modelo, bem como o formato da competição e o alto nível do grid, forçaram Erick a elevar seu patamar dentro e fora das pistas. Rapidamente o jovem ‘se achou’ no seu novo ambiente, mostrando velocidade e resultados.

Entre março e julho de 2026, foram cinco etapas e oito corridas nas quais Erick Schotten alinhou pelos campeonatos sul-americano e brasileiro do TCR. Com grid único, os dois torneios foram disputados em paralelo neste ano até a etapa do Velocitta, em julho. O piloto entregou boas performances, subiu ao pódio em Cascavel e demonstrou bom ritmo na etapa Endurance em Interlagos. Em seguida, venceu de ponta a ponta no desfecho da etapa noturna de Cuiabá, ouvindo o Hino Nacional Brasileiro no topo do pódio. Tanto em São Paulo como no Mato Grosso, Erick encarou uma intensa jornada dupla e conciliou o TCR com a Stock Light.

No Velocitta, onde também encarou mais uma dupla missão com a Stock Light e o TCR, Erick andou bem nos treinos livres e na classificação com o Cupra León VZ #7 antes de sofrer forte acidente na Corrida 1 devido a uma falha nos freios. O impacto causou uma pequena fratura no pé esquerdo e resultou na exigência de 30 dias sem pilotar para sua recuperação plena. O infortúnio vivido no interior paulista o levou a encerrar sua primeira temporada no TCR sem conseguir concluir as duas corridas previstas para julho. Mas o que fica é a satisfação sobre como foi construída essa rápida adaptação a uma categoria completamente nova e com características tão específicas.

Escutar para evoluir — “Sempre andei em carros de tração traseira, então nada foi parecido com o TCR. Mas minha adaptação realmente foi rápida. Hoje eu tenho a manha do carro e consigo virar rápido. Foi um encaixe perfeito”, salientou Schotten, que creditou o entendimento da categoria ao time liderado por Duda Pamplona e Serafin Jr, em ação no TCR South America desde 2021.

“Esse encaixe tem muito da nossa equipe, que conhece bastante o carro. Essa aprendizagem minha teve muita escuta e observação em relação ao trabalho da equipe. Deu muito certo e veio em um momento de maturidade bem maior em relação aos outros carros que tive de aprender. Vim de 18 para 19 anos quando entrei no TCR, em contexto diferente de quando comecei na Stock Light, por exemplo. Então, é uma fase em que escuto mais o que a equipe tem a dizer. O grande ponto é ter essa mente aberta o tempo todo e muita vontade de crescer e aprender”, pontuou.

“Qualidade absurda” e surpresa — Além do trabalho desenvolvido pela W2 Racing ProGP, Erick também atribuiu seu encaixe rápido ao TCR ao nível do grid. Enquanto na Stock Light, onde corre desde 2024, Schotten mede forças com pilotos em sua maioria jovens e promissores, na “Libertadores do Automobilismo” o ‘buraco é mais embaixo’, já que o confronto é com muitos competidores mais experientes.

“Nunca vi um grupo com tantos pilotos rápidos e com competência para vencer corridas. É praticamente todo mundo muito rápido. Claro que tem aqueles ‘feras’, como o Nelsinho, o Néstor Girolami e o Leonel Pernía, que é o campeão. Mas são todos muito rápidos, em um grid de nível altíssimo. E aí meu respeito por eles cresceu ainda mais. Quando você está fora, não dá para entender a fundo o quão alto é esse nível até você entrar. E aí você entende o esforço que todos nós temos de fazer para estar nessa posição. Isso valoriza seu resultado, como foi aquela minha vitória em Cuiabá. Valoriza não apenas o meu trabalho, mas o trabalho de toda a categoria. É uma categoria muito difícil porque o grid, na sua maioria, é muito maduro, com disputas porta a porta do mais alto nível, corridas muito duras e uma dificuldade enorme para ultrapassar. No geral, é uma qualidade absurda”, detalhou.

“Entrei no TCR com a mente muito aberta. Não tinha muita referência em termos de resultado. Claro que a gente sempre entra para buscar a pole, pódio, vitória. Sabia que seria muito difícil e que tinha de comemorar bastante cada resultado positivo. Mas vou ser sincero: não esperava uma vitória no meu primeiro ano. Fiquei bem surpreso com a minha performance e com os resultados, talvez mais até do que em relação à performance. Finalizei a temporada do TCR no Brasil de forma muito competitiva”, completou Erick.

E o futuro? — A sequência da temporada traz para Erick Schotten o desafio de se recuperar da lesão e voltar competitivo ao grid da Stock Light para as três rodadas que restam para o desfecho de 2026: Curvelo, em 6 de setembro; Brasília, com a inédita etapa Endurance, em 27 do mesmo mês, e a Super Final em Interlagos, em 13 de dezembro. Ao mesmo tempo, o catarinense pensa na internacionalização da sua carreira e, desta forma, continuar em ação no conceito TCR é visto como passo fundamental.

“Quero muito seguir fazendo o TCR. Gosto muito da organização do campeonato. São profissionais que me ajudam bastante, que querem me ver no grid. E também gostei muito de correr lá nessa temporada e confio que o TCR vai crescer ainda mais, ter cada vez mais pilotos que vão correr recebendo um bom salário. Claro que existe um caminho até chegar lá, para construir uma trajetória e fazer um World Tour”, explicou.

“No fim das contas, meu desejo é correr o máximo possível, onde tiver oportunidade para correr. Quero fazer a Stock Car, conciliar com o TCR e, quem sabe, com algum campeonato europeu. É o sonho da minha vida, poder ter essa trilha e viver do automobilismo. Vamos trabalhar muito para conseguir realizar”, finalizou Erick Schotten.

Perfil
Erick Schotten
Idade: 19 anos (18/05/2007)
Naturalidade: Timbó (SC)
Carreira: vencedor na etapa noturna de Cuiabá do TCR South America/TCR Brasil em 2026; vencedor de duas corridas na Stock Light; prêmio Move of the Year — Ultrapassagem do Ano — na USF Juniors (2023); campeão da Fórmula Delta (2022), da Copa SPR de Kart Junior (2020)

Siga Erick Schotten no Instagram: @e.schotten

Fonte: Agência Fórmula Grün

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