SOS Preces registra crescimento de 201,6% na média diária de ligações desde 2020 e amplia rede de voluntários no país

“Escutar é um ato de cuidado” ganha ainda mais significado durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e à prevenção do suicídio. Em um cenário de aumento da procura por espaços de acolhimento, a escuta pode representar um primeiro passo para quem enfrenta um momento de fragilidade emocional. É nessa frente que atua o SOS Preces, associação sem fins lucrativos que há mais de quatro décadas oferece apoio emocional gratuito por meio da escuta.

Os números da instituição ajudam a dimensionar essa demanda. Entre janeiro e julho de 2026, o SOS Preces registrou média de 166 ligações por dia, contra 55 chamadas diárias no segundo semestre de 2020. O aumento de 201,6% na média diária de atendimentos evidencia a expansão da procura por canais acessíveis de acolhimento e escuta ao longo dos últimos anos.

A demanda também acontece em diferentes momentos do dia. Em 2025, o período da tarde, entre 12h e 17h59, concentrou 16.083 ligações atendidas. Somadas às chamadas registradas durante a noite, foram 28.728 atendimentos, aproximadamente 65% do total de ligações recebidas pelo SOS Preces ao longo do ano.

Para Kátia Moraes Varella Alves, presidente do SOS Preces, os dados reforçam que o sofrimento emocional não tem hora marcada. “As pessoas não escolhem um horário para sofrer. Muitas ligam durante a tarde, em meio às dificuldades do trabalho, da família ou da solidão. O voluntário está ali para oferecer presença, respeito e esperança, nunca julgamentos”, afirma.

O SOS Preces oferece atendimento emocional por telefone, de forma sigilosa e realizada por voluntários capacitados. A proposta é oferecer uma escuta acolhedora e, quando necessário, estimular a busca por profissionais e serviços especializados.

O crescimento da procura também impulsiona a expansão da rede de voluntários. Embora o SOS Preces já ofereça atendimento por telefone para pessoas de diferentes regiões do país, a associação está formando uma nova equipe em Brasília, ampliando sua atuação no Distrito Federal. A iniciativa começa pela mobilização e capacitação de voluntários locais, que passarão por formação e estágio supervisionado antes de realizar os atendimentos de forma autônoma.

Atualmente, o SOS Preces conta com cerca de 400 voluntários distribuídos em diferentes estados brasileiros, que se revezam em equipes de plantão para manter o serviço disponível. A expansão para Brasília representa mais um passo na construção de uma rede de escuta ativa capaz de acompanhar o aumento da demanda por apoio emocional.

Para Kátia, ampliar a rede significa também ampliar as possibilidades de acolhimento. “Nosso propósito é estar disponível para quem precisa conversar. Nem sempre temos respostas para todos os problemas, mas podemos oferecer presença, atenção e respeito naquele momento”, afirma.

Fundado em 1º de maio de 1982, em Belo Horizonte, pelo voluntário Célio Varella, o SOS Preces nasce inspirado na experiência de serviços de apoio emocional, incluindo sua atuação no Centro de Valorização da Vida (CVV). A instituição oferece escuta e acolhimento de forma ecumênica, atendendo pessoas de qualquer religião ou sem vínculo religioso. O serviço não substitui acompanhamento psicológico ou psiquiátrico e funciona como um canal de apoio para quem busca alguém disposto a ouvir.

O SOS Preces não realiza diagnósticos nem substitui acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. O serviço funciona como um canal de apoio para pessoas que buscam alguém disposto a ouvi-las. Mais informações estão disponíveis em www.sospreces.com.br.

Fonte: Maxima SP 

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