FoodBiz Summit 2026, realizado em conjunto com a plenária de agosto do Instituto Foodservice Brasil, reuniu executivos do Zé Delivery e da Mixue para discutir tecnologia, operação e crescimento
Duas apresentações do FoodBiz Summit 2026 reforçaram um mesmo recado para o foodservice brasileiro: tecnologia e crescimento só geram resultado quando estão conectados à operação e sustentados por processos. Realizado em conjunto com a plenária de agosto do Instituto Foodservice Brasil (IFB), o evento reuniu diferentes elos da cadeia para discutir desafios e oportunidades de um setor em transformação.
Em “IA para quem decide”, Fernanda Faria, CPTO do Zé Delivery e Diretora Global de Produto e Design na AB InBev, mostrou dados sobre o quanto a inteligência artificial já entrega resultado concreto no setor, do peso dos modelos de IA no EBITDA mensal do iFood aos mais de 120 agentes criados internamente pelo Bob’s. Ela alertou, porém, que apenas uma fração das redes efetivamente capacita suas equipes para as tecnologias. O gargalo, segundo Fernanda, não está na tecnologia disponível, mas na decisão de construir capacidade interna para utilizá-la.
Fernanda usou o caso do drive-thru de voz do McDonald’s com a IBM, encerrado após erros que viralizaram, como contraponto à trajetória do Zé Delivery, que avançou em três etapas: automatizar tarefas repetitivas, ampliar a velocidade de análise e, por fim, permitir que agentes tomem decisões, como a oferta de cupons, dentro de limites definidos por humanos. A executiva defendeu que todo projeto de IA precisa conectar estratégia, produto e operação e propôs um filtro de cinco perguntas antes de qualquer contratação de tecnologia. A primeira é direta e seria sobre qual decisão de negócio a tecnologia melhoraria e quanto valeria por mês.
Já Yingdong Liu, Head of Business Development Americas da Mixue Group, rede de sorvetes e chás com mais de 49 mil lojas em 15 países, desconstruiu a ideia de que a companhia teria encontrado uma fórmula secreta de competitividade baseada na integração vertical. Segundo ele, o limite do crescimento nunca foi a ambição, mas a capacidade.
Em 2016, a empresa identificou que a expansão acelerada havia comprometido o padrão de produto entre regiões e decidiu interromper a abertura de novas lojas por mais de seis meses para corrigir a métrica que realmente importava, que não era sobre quantas lojas eram abertas, mas quanto lucro cada unidade gerava. A decisão permitiu reorganizar a operação antes de retomar o ritmo de expansão.
Liu também questionou a lógica de que a escala teria vindo da cadeia de suprimentos verticalizada, ou vice-versa. Uma cadeia própria, segundo ele, não resolve um produto que o consumidor não quer. A Mixue, por isso, não verticaliza todos os elos. Em cada etapa da cadeia, a empresa busca o parceiro mais competitivo e com visão de longo prazo. No Brasil, a estratégia deverá ser construída majoritariamente com parceiros locais, aproveitando a força do país na produção de matérias-primas como cana-de-açúcar, café e laranja.
O ponto de encontro entre as duas apresentações dialoga com o próprio trabalho do Instituto Foodservice Brasil, que promove a troca entre os diferentes elos da cadeia e reúne indicadores como o IDF, o FoodCheck e o CREST para apoiar decisões do setor com dados. “A programação deste ano reflete a velocidade das transformações que o foodservice está vivendo. Reunir diferentes elos da cadeia em um mesmo ambiente permite ampliar a troca de experiências e construir uma visão mais integrada sobre os caminhos para o crescimento do setor”, afirma Ingrid Devisate, vice-presidente executiva do Instituto Foodservice Brasil (IFB).
Sobre o Instituto Foodservice Brasil
Fundado em 2013, o Instituto Foodservice Brasil (IFB) é um ecossistema que representa a união da cadeia de valor com fabricantes, prestadores de serviços e operadores de estabelecimentos que, juntos, buscam soluções para temas que impactam o mercado de alimentação fora do lar e o consumidor, por meio de fornecimento de dados de mercado e do desenvolvimento de inteligência, tecnologia & inovação, ESG e iniciativas ligadas a relações governamentais, institucionais e jurídicas.
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Fonte: NB Press Comunicação


