Instrumentista e compositor, construiu carreira de seis décadas, levando o forró a dialogar com jazz, blues, rock e música clássica.

O sanfoneiro e compositor Oswaldo de Almeida e Silva, conhecido como Oswaldinho do Acordeon, morreu neste domingo (25 de outubro), aos 72 anos. Deixa a esposa, Janilda Luzia de Albuquerque e Silva, e as filhas Samanta e Sarah Albuquerque.

Reconhecido no Brasil e no exterior por sua virtuosidade, o artista marcou a história da música nordestina ao ampliar as possibilidades da sanfona e aproximar o forró de diferentes gêneros musicais, como jazz, blues, rock e música erudita.

Nascido em 5 de julho de 1954, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Oswaldinho era filho do sanfoneiro Pedro Sertanejo (1927–1997), um dos responsáveis pela difusão do forró em São Paulo. Cresceu em um ambiente de intensa convivência musical, tendo contato desde cedo com nomes fundamentais da música nordestina, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca, frequentadores da casa de seu pai.

Foi nesse universo que desenvolveu sua paixão pela sanfona, instrumento que começou a aprender de maneira autodidata, incentivado por Pedro Sertanejo. Ainda criança, demonstrou talento precoce: aos nove anos, em 1963, participou de uma gravação do pai, iniciando sua trajetória no mercado fonográfico. Três anos depois, lançou seu primeiro single, dando início a uma carreira que se estenderia por seis décadas.

Na década de 1970, apresentou os álbuns Fantástico Oswaldo Silva (1973), Só Quero um Xodó (1974) e Oswaldinho (1975), pela gravadora Tropicana. Em seguida, lançou Forró Pop (1977), Lágrimas de Namorados (1978) e Natureza (1979), pela Copacabana. Em 1981, o álbum Forró in Concert ajudou a abrir caminho para sua participação em festivais europeus, ampliando o alcance internacional de seu trabalho.

Ao longo da carreira, Oswaldinho construiu uma linguagem musical própria, combinando o repertório tradicional nordestino com experimentações e arranjos que exploravam novas possibilidades sonoras. Essa versatilidade aparece em trabalhos como Asa Branca Blues (2002) e Forró Chorado (2011), nos quais demonstrou como a sanfona poderia transitar entre diferentes universos musicais sem perder suas raízes.

Outro momento significativo foi o encontro com Dominguinhos e Sivuca no álbum Cada Um Belisca um Pouco, lançado em 2004 pela gravadora Biscoito Fino. A reunião dos três instrumentistas celebrou diferentes gerações e estilos de interpretação da sanfona, reafirmando a importância do diálogo entre os grandes nomes do instrumento.

Considerado uma referência técnica e artística, Oswaldinho do Acordeon contribuiu para expandir as fronteiras do forró e apresentar a sanfona a novos públicos. Seu legado permanece na obra que deixou gravada e na influência exercida sobre músicos que encontraram em sua trajetória inspiração para explorar as múltiplas possibilidades da música brasileira.

Sua música seguirá viva na memória de seus admiradores.

 

Fonte: Graciela Binaghi

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