Apesar da diversificação das matrizes energéticas a crise hídrica que assola o país nos reflete o quanto avançamos ou não. Na última crise hídrica entre 2014 e 2015 a matriz hidráulica correspondia a 64% de toda geração o Gás Natural12,9%, matriz Eólica correspondia a 3,5% e a solar 0,01%, ou seja estava nascendo o mercado de painéis solares no Brasil, que em 2020 correspondia à 1,7% da energia produzida e a eólica avançou para 8,9% conforme gráficos abaixo, mas como as crises hídricas impactaram o mercado no passado?

Matriz elétrica brasileira 2020

Podemos observar que houve redução na geração hídrica e de gás natural, além de estabilidade na biomassa e queda em derivados de petróleo e carvão hoje mineral, no gráfico de 2015 não descreve a geração de 140.900 MW
Com todas estas informações podemos chegar a algumas conclusões, o país aumentou 32,3 GW, um aumento de 22% na geração de energia com destaque para o crescimento da energia eólica e a solar que multiplicou por 170 vezes mas gera apenas 1,7%, em 2015 de acordo com a Agência Brasil seriam investidos 850 milhões de reais nos próximos 12 meses.
Observando o gráfico do Índice de Energia na crise hídrica que desencadeou e apagão elétrico no governo FHC pela falta de investimento em infra estrutura, o índice corrigiu 56% entre 2001 e 2003, após o normalidade das chuvas valorizou incríveis 1119% com apenas 22% de aumento na geração. Devemos lembrar que o índice de energia não é estático, ou seja muda sua composição da carteira assim como posição, mas como se comportou a Eletrobras, Cemig e Light nas crises hídricas de 2002 e 2014, veremos a seguir:

Podemos observar que no fim do primeiro mandato do governo Dilma em 2013, onde o governo interferiu no preço da energia, além de ter subido os juros abruptamente para conter a inflação, mesmo com a crise hídrica entre 2014 e 2015 o mercado andou de lado com variação média de 40% até 2016, com o fim da crise o índice subiu 295% onde surgiram novos players como AES Brasil, Alupar, Coelce, CPFL Energia, Energias Br, Energisa, Eneva, Engie dentre outras.

Observaremos os gráficos das antigas do setor Eletrobras, Cemig e Light:
A Eletrobras teve desvalorização de -60% diferente do índice com queda de -40% entre 2001 e 2003, mas subiu 470% entre 2002 e 2010 mais quase metade dos 1119% do índice de energia. Iniciou seu processo de correção em 2010 com  quase 70% de queda em 2010.  Andou de lado entre 2012 e 2015 com variação média de 57%, neste mesmo ano iniciou movimento com 737% de valorização bem diferente dos 295% do índice, vale o aprendizado que o índice é uma composição de ações, mas a pergunta que fica: tem mais espaço para valorização da Eletrobras mesmo com a aprovação da capitalização e privatização? Para muitos grafistas parece surgir o famoso topo duplo, dificilmente algum analista diante da crise hídrica cravaria seu rompimento após a recente correção.

No gráfico da Cemig podemos observar que é um ativo volátil, ou seja com grande variação em suas cotações, em 2002 corrigiu -51% próximo aos índice de energia com queda de – 56% e subiu 440% diferentemente dos 1119%, mas o principal destaque é a volatilidade, prato cheio para alguns investidores. O não rompimento pode demonstrar que o mercado perdeu força compradora, para os pessimistas o suporte em amarelo deve ser observado o candle a ser formado, o suporte verde é uma zona de forte resistência que foi testada 4x e para os otimistas que rompa as bandas de Boellinger.

Na Light após forte queda nas cotações desde 1997 em 2002 durante a crise hídrica teve queda de -80% com uma forte alta de 500% no ano seguinte e forte correção de 76%  entre 2003 e 2005, iniciou movimento com outra forte valorização de 600%, mas observe que quem comprou em Julho de 2003 teve praticamente o mesmo valor em 2006 apesar da valorização de 600%,  em 2014 durante a crises hídrica andou de lado no canl lateral com alta volatilidade nas cotações, observamos que o ativo ao sair das bandas de Boelinger sempre retornou ao topo do canal lateral com valorizações superiores à 100%, será que se segura neste canal ou rompe? Se romper será para cima ou para baixo?

Na próxima quarta-feira continuaremos a série  “O impacto da Crise Hídrica no Mercado Financeiro” Parte 2 onde observaremos os novos players do setor de energia.

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