Caroline Ferrari, da Octopus, aponta que novos dados de consumo revelam um torcedor mais jovem, saudável e conectado; marcas que ignorarem esse perfil vão errar o alvo

A Copa do Mundo de 2026 já começou muito antes do apito inicial — e não apenas nos campos dos Estados Unidos, Canadá e México. No Brasil, o torneio funciona como um dos maiores aceleradores de consumo do calendário, movimentando setores que vão do varejo alimentar ao entretenimento digital. Mas o que os dados desta edição revelam é que o torcedor brasileiro não é mais o mesmo. E quem ainda está comunicando para o perfil de 2018 está, na prática, falando com uma audiência que não existe mais.

Uma edição especial do relatório MELI Trends, divulgada pelo Mercado Livre em junho de 2026, comparou o comportamento de buscas na plataforma entre maio de 2026 e o período que antecedeu a Copa do Mundo de 2022. Os resultados apontam mudanças profundas: cerveja zero registrou alta de 985% nas buscas; streetwear com as cores do Brasil cresceu 640%; esmaltes e itens de nail art verde e amarela subiram 360%; e as tintas para decoração de ruas e fachadas somaram mais de 95 mil buscas, com crescimento de 642%. O álbum de figurinhas oficial foi pesquisado a um ritmo de 3,3 vezes por minuto nos primeiros 28 dias de venda — 18 vezes mais do que na Copa anterior.

“O crescimento da cerveja zero não é um dado isolado. Ele reflete uma mudança de comportamento que vem ganhando força nos últimos anos: consumidores cada vez mais atentos à saúde e ao equilíbrio entre lazer e bem-estar, inclusive durante grandes eventos esportivos. Marcas que só enxergam o torcedor pela lente da cerveja gelada e do churrasco estão deixando dinheiro na mesa”, observa Caroline Ferrari, Diretora de Novos Negócios Corporativos da Octopus, agência de publicidade e propaganda.

O perfil emergente identificado pelo levantamento é de um torcedor mais jovem, conectado à moda, à estética e ao estilo de vida — que preserva as tradições da Copa, mas cria novos rituais para vivê-la. A Copa de 2026 não cabe mais em um único formato: segundo dados da MiQ, 76% dos torcedores devem assistir aos jogos utilizando uma segunda tela simultaneamente, enquanto pesquisa do PicPay aponta que 77% vão acompanhar as partidas em casa — mas com o celular na mão, comprando, comentando e interagindo em tempo real.

Para o mercado publicitário, os números também são expressivos. Segundo a WARC Media, a Copa do Mundo de 2026 deve movimentar cerca de US$ 10,5 bilhões em investimentos globais em mídia. No Brasil, dados do IAB Brasil mostram que a publicidade digital já ultrapassou R$ 42 bilhões em 2025 — e o torneio chega como catalisador desse crescimento. A pesquisa da Rakuten Advertising aponta que 91% dos brasileiros pretendem comprar produtos ou serviços motivados pelo torneio, sinalizando um mercado aquecido e altamente disputado.

Além das bebidas, a expectativa é de que a Copa impulsione a procura por produtos ligados à experiência de assistir aos jogos — itens para confraternizações, moda temática, eletrônicos e entretenimento doméstico. O delivery também deve registrar aumento expressivo durante as partidas, especialmente em refeições prontas, lanches e bebidas. Pesquisa da Neogrid/Opinion Box revela que 51% dos brasileiros pretendem gastar mais com alimentos e bebidas durante os jogos, impulsionados por encontros com amigos e família.

“As marcas que aproveitarem esse momento para entender o novo perfil do torcedor — mais jovem, conectado e preocupado com bem-estar — vão sair na frente. A Copa não é só futebol; é uma janela de dados comportamentais que precisa ser lida com inteligência estratégica. Quem chegar com campanha genérica vai competir por atenção com todo mundo. Quem chegar com relevância vai conquistar espaço”, destaca Ferrari.

Com 48 seleções disputando o maior Mundial da história, a Copa de 2026 consolida uma mudança estrutural na relação entre marcas, mídia e consumidores. A audiência que antes se sentava na frente da TV agora está em múltiplas telas, produzindo conteúdo, fazendo pedidos e decidindo compras em tempo real. Para as empresas, a janela de oportunidade é real — mas exige leitura fina de comportamento, não apenas investimento em visibilidade.

Fonte: Maxima SP

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