Fruto de uma parceria de sucesso entre a agremiação e o Museu, a mostra “Herdeiros da Realeza: colorindo a Encruzilhada do Samba” será aberta ao público no próximo sábado, 11 de julho, em Porto Alegre

Parte das fantasias e esculturas criadas pela escola de samba Sociedade Beneficente Cultural Realeza para contar a história do Hip Hop no Carnaval deste ano poderão ser vistas de perto na exposição “Herdeiros da Realeza: colorindo a Encruzilhada do Samba”, que transporta diversos fragmentos do espetáculo visual da avenida para o Museu da Cultura Hip Hop RS, que serviu de inspiração para a criação do tema, do samba-enredo e das alegorias desfiladas pela agremiação. Reafirmando o protagonismo da cultura negra e a força da periferia, a mostra será inaugurada no próximo sábado, 11 de julho, a partir das 14h, em Porto Alegre.

O Museu, o primeiro dedicado à cultura Hip Hop na América Latina, colaborou diretamente na construção do desfile que a escola levou ao Complexo Cultural do Porto Seco no Carnaval de 2026. E, agora, o grande público terá uma segunda chance de ver todos os detalhes desta parceria de sucesso, em que os cinco elementos da cultura Hip Hop se entrelaçaram ao gingado do samba e ao toque dos tambores. “A exposição revela a profunda conexão entre o Hip Hop e o samba, duas culturas de matriz africana que, por muito tempo, foram marginalizadas sem jamais deixar de transformar vidas por meio da arte, da cultura e da coletividade. Assim como um desfile se constrói por muitas mãos, o Hip Hop também se faz pela colaboração entre seus agentes”, afirma Fulvio Dickel, museólogo do Museu da Cultura Hip Hop RS.

Articulando fantasias, esculturas e registros audiovisuais, a exposição ocupa dois ambientes distintos que mergulham o espectador no desfile carnavalesco. Na área externa do Museu, o público encontra a imponência de três esculturas que ganharam vida na avenida junto aos carros alegóricos: um tênis grafitado, dois b-boys e um microfone, estabelecendo conexões entre a estética urbana e o universo do samba-enredo.

Já na sala expositiva estarão expostas algumas fantasias completas que marcaram a passagem da escola pela avenida, como as de mestre-sala, da porta-bandeira, das baianas e de um destaque de luxo. As peças foram criadas pelos carnavalescos Luiz Augusto Lacerda e Roberto Marques Silva, e foram confeccionadas por uma equipe formada por profissionais atuantes no Barracão da S.B.C. Realeza. No campo audiovisual, serão exibidas imagens em vídeo do desfile, além do documentário sobre o hip hop que percorreu a avenida e que integrou um dos carros alegóricos apresentados pela escola. Na mostra também estarão as fotos de Afrovulto, fotógrafo e um dos oficineiros do projeto.

“Mais do que contemplar esculturas, figurinos e adereços, quem visitar esta exposição encontrará um conceito artístico concebido a partir de cada detalhe que constitui o Museu da Cultura Hip Hop RS. Cada elemento foi pensado para dialogar com sua arquitetura, sua memória, seus símbolos e, sobretudo, com os artistas que fazem deste espaço um território de resistência, identidade e criação. É um convite para enxergar o Carnaval como patrimônio artístico vivo, capaz de emocionar, preservar histórias e reafirmar que, quando diferentes manifestações culturais caminham juntas, toda a sociedade ganha”, explica Luiz Augusto Lacerda, um dos carnavalescos e idealizador do enredo, que possui a sinopse assinada pelo jornalista Edy Dutra. “Ver essa produção artística ocupar as salas do Museu da Cultura Hip Hop RS é a confirmação de que o Carnaval é uma das mais potentes expressões da arte brasileira. E o enredo foi uma homenagem construída com profundo respeito à história, aos artistas e à importância cultural do Museu. Cada fantasia, alegoria e detalhe revelam o compromisso da Realeza em fortalecer a cadeia produtiva local, valorizando a criação de seus carnavalescos e reconhecendo o talento dos inúmeros artesãos que, com técnica, sensibilidade e dedicação, transformam ideias em arte”, completa ele.

A mostra integra as celebrações dos 50 anos da S.B.C. Realeza, mostrando ao público um recorte expressivo do desfile com o enredo “Realeza Crew – A Madame Black chega, respeita… Chega e representa!”. A obra assinada por Vinícius Brito, Marcelo Adnet, Júnior Paixão e Babby garantiu à Realeza a conquista do troféu de Melhor Samba-Enredo do Grupo Prata.

SERVIÇO

Exposição “Herdeiros da Realeza: Colorindo a Encruzilhada do Samba”

Estreia dia 11 de julho, sábado, às 14h.

Local: Museu da Cultura Hip Hop RS – Rua Parque dos Nativos, 545 – Vila Ipiranga – Porto Alegre/RS.

Horários de visitação: De terça a sábado, das 9h às 12h e das 14h às 17h.

Entrada franca.

SOBRE O MUSEU DA CULTURA HIP HOP RS

Inaugurado em 2023, no ano do cinquentenário do hip hop no mundo, o Museu da Cultura Hip Hop RS é o primeiro na América Latina dedicado ao movimento. Com um espaço de quatro mil metros quadrados, o Museu é uma iniciativa coletiva da Associação da Cultura Hip Hop de Esteio, e objetiva o fortalecimento de outros estados brasileiros para criação de museus, organizando uma rede capaz de construir o Museu Brasileiro da Cultura Hip Hop nos próximos cinco anos. O complexo reúne mais de 6,5 mil itens de acervo físico e digital sobre a história do hip hop gaúcho. Inspirado no The Universal Hip Hop Museum nos Estados Unidos, conta com salas expositivas, atelier de oficinas, café, loja, estufa agroecológica, biblioteca, estúdio musical, multipalco e a Quadra Petrobras. O Museu da Cultura Hip Hop RS tem financiamento da Lei Federal de Incentivo à Cultura, patrocínio master da PETROBRAS e patrocínio da CAIXA e da OPEN SOCIETY FOUNDATIONS. Realização do Ministério da Cultura.

 

Fonte: Artsy Club

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