Já se ouve o eco do 32º Grito dos Excluídos e Excluídas. A tradicional manifestação popular do 7 de Setembro reverbera nas ruas as dores e as denúncias contra o feminicídio — a violência extrema que ceifa vidas pelo fato de serem mulheres. Mais do que um ato de indignação, a mobilização deste ano conecta as lutas comunitárias brasileiras a um cenário de forte tensionamento geopolítico global, clamando por paz, reforma agrária e pelo fim do déficit habitacional.
”Vida em Primeiro Lugar!”
Lema: “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”
O grito da independência do Brasil não nasceu de um único brado: foi fruto de lutas intensas entre os que almejavam a libertação e os que queriam manter a dominação. Hoje, a história se repete. Afinal, que independência é esta que temos? Quais são, atualmente, os gritos do povo brasileiro?
Na Campanha da Fraternidade, vimos que 8,3% da população não tem casa própria e cerca de 300 mil pessoas vivem em situação de rua. Ouvimos também os clamores pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho. A voz do povo mobilizou os deputados, mas a pauta não avançou no Senado. Por quê?
Sentimos os impactos do calor extremo em pleno inverno. As causas são conhecidas: a destruição das florestas e o uso desenfreado de combustíveis fósseis. A natureza não grita; ela reage. E as consequências são trágicas: exclusão provocada pela perda de moradias, destruição de plantações e vulnerabilidade dos mais pobres diante da crise climática.
Muitos brados ecoam pelo Brasil. O país só será verdadeiramente independente quando não houver mais excluídos. Nosso Deus ouviu o clamor do seu povo no Egito; os profetas se levantaram contra as injustiças e a exploração dos vulneráveis. E nós, temos ouvido a voz de quem sofre? Quem acolhe o Grito dos Excluídos? Onde essa voz precisa ressoar com mais força?
”Quem fecha os ouvidos ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido.”
(Provérbios 21,13)
Equipe de Animação Missionária: SP-ABC-Mogi-Suzano-Ferraz
Orientação: Padre Luciano Marini | Diocese de Mogi das Cruzes


