Tecnologia permite cruzar informações, identificar padrões e garantir decisões mais estratégicas, mas o conhecimento especializado também é essencial
A inteligência artificial ganhou espaço na gestão do investimento social privado (ISP) ao transformar grandes volumes de dados em informações capazes de auxiliar as empresas patrocinadoras de projetos na tomada de decisões mais estratégicas e assertivas. Na prática, ela pode ajudar a substituir processos antigos, fragmentados em planilhas ou com tarefas manuais, por um gerenciamento automático mais eficiente e orientado por dados. Mas isso não tira a importância da avaliação humana e expertise técnica, necessárias para interpretações mais complexas.
Uma das vantagens da IA é o potencial de análise dos aspectos que envolvem os projetos, como explica Marina Mattaraia, sócia-diretora da Animus Consultoria e Gestão, especializada em estratégia, governança e gestão de investimento social privado. “A IA pode apoiar a organização das informações sobre os projetos e a identificação de padrões, riscos, inconsistências e oportunidades, além de facilitar o acompanhamento de indicadores e resultados”, afirma a especialista.
Pensando nisso, a Animus, que é responsável pela administração de aproximadamente R$ 500 milhões anuais em portfólios de investimento social privado, desenvolveu a plataforma ISP360, que reúne tecnologia, inteligência de dados e conhecimento especializado. A ferramenta organiza e conecta as diferentes etapas da operação do investimento social, desde a estruturação e o planejamento dos projetos até a criação e o acompanhamento de indicadores, integração de bases de dados, seleção e análise de iniciativas, apoio e agilidade ao due diligence de projetos, gestão de leis de incentivo, monitoramento, avaliação e prestação de contas.
Ao reunir informações e processos que tradicionalmente estão dispersos entre equipes, sistemas e diferentes fontes de informação, o ISP360 reduz a complexidade operacional e transforma dados em inteligência para a gestão. “A inteligência artificial atua como camada de apoio à organização, análise e geração de insights, enquanto a governança e as decisões sobre prioridades, recursos e estratégias permanecem essencialmente humanas”, explica Mattaraia.
Esse acompanhamento mais próximo tem efeito direto sobre a relação da empresa patrocinadora com seus projetos. Ao ter clareza sobre indicadores e resultados em tempo real, a companhia consegue justificar com mais precisão o uso dos recursos de incentivo fiscal, ajustar investimentos que não estão performando bem e reforçar, perante acionistas e órgãos reguladores, que o dinheiro aplicado gera retorno social mensurável. Em um cenário de cobrança crescente por transparência em práticas ESG, essa capacidade de comprovar impacto deixa de ser apenas uma exigência de compliance e passa a compor a própria reputação da marca.
A adoção da inteligência artificial também exige uma estrutura de governança capaz de estabelecer critérios para o uso dos dados e da própria tecnologia. Isso envolve definir as informações que podem ser utilizadas, quem pode acessá-las e quais decisões dependem de validação humana, garantindo transparência, rastreabilidade e responsabilização sobre os processos.
No investimento social, esse cuidado ganha ainda mais relevância pelo uso de informações sobre organizações, projetos sociais e públicos em situação de vulnerabilidade. “Governança e proteção de dados, segurança da informação, controle de acessos e revisão humana precisam caminhar junto com a adoção da tecnologia. O objetivo não é apenas tornar a gestão mais rápida, mas também deixá-la mais segura, rastreável e inteligente”, destaca Marina Mattaraia.
Vale reforçar que a inteligência artificial não elimina a necessidade de avaliação humana. Pelo contrário: quanto mais complexas são as decisões, maior é a relevância da interpretação. “No investimento social privado, o contexto é essencial. Dois projetos podem apresentar indicadores semelhantes e produzirem resultados diferentes em função de território, público e capacidade de execução. A tecnologia fornece evidências para o especialista, que utiliza seu conhecimento e experiência para interpretar as informações e direcionar a estratégia”, finaliza a executiva.
Sobre a Animus
Fundada em 2007 e com sede em São Paulo, a Animus Consultoria & Gestão é especializada em gestão e governança do investimento social privado. Com equipe multidisciplinar, a empresa atua com organizações públicas e privadas, nas mais diversas áreas do investimento social. Faz a gestão de aproximadamente R$ 500 milhões anuais em portfólios de ISP incentivado e próprio, com atuação em todo o território nacional. Mais informações em www.animusconsult.com.br ou @animusconsult.
Fonte: Dora Press


