Eficiência de liquidação e conformidade passam a liderar a adoção institucional de ativos digitais no país
A evolução do mercado de ativos virtuais no Brasil indica um movimento consistente em direção à modernização da infraestrutura financeira institucional. Em vez do foco em produtos voltados ao varejo ou ao investimento especulativo, o setor acelera o uso de tecnologias baseadas em blockchain para otimizar fluxos operacionais, liquidações e rotinas de tesouraria que sustentam o sistema corporativo.
Segundo dados de levantamento setorial conduzido pela KPMG em parceria com a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto), 33% das instituições financeiras e empresas participantes apontam as transações internacionais como a principal finalidade para a emissão e uso de moedas digitais pareadas (stablecoins). Adicionalmente, metade do mercado já emprega esses instrumentos como camada de suporte para operações de câmbio e serviços de pagamento.
Esse redirecionamento ganha tração em meio ao amadurecimento das diretrizes do Banco Central do Brasil. A promulgação da Resolução BCB nº 521, que enquadrou as movimentações de ativos virtuais referenciados em moedas estrangeiras dentro das normas cambiais, trouxe maior clareza regulatória para as instituições. Em contrapartida, medidas de segurança como a retenção cautelar de fundos por até 24 horas vêm estimulando debates sobre como garantir o combate a ilícitos sem comprometer a eficiência de liquidação contínua.
Para Stijn Vander Straeten, CEO do Crypto Finance Group, a clareza regulatória é o catalisador necessário para a expansão do mercado de ativos digitais em escala institucional.
“O amadurecimento do arcabouço normativo promovido pelos reguladores é crucial para conferir estabilidade às instituições operacionais. À medida que as regras do jogo se consolidam, as empresas conseguem implementar estruturas robustas de gestão de risco e governança sem abdicar da agilidade, da liquidez e da operação 24 horas por dia que a tecnologia blockchain oferece ao ecossistema corporativo”, afirma o executivo.
A busca por governança sólida também se reflete nos números do levantamento da KPMG e ABcripto: 100% dos entrevistados defendem a realização de auditorias independentes sobre as reservas mantidas, enquanto 70% destacam a publicação periódica de relatórios detalhados como a principal prática de transparência para a sustentabilidade do setor.
A tendência indica que, ao integrar as redes digitais aos trilhos bancários tradicionais, o setor financeiro passa a priorizar o ganho de eficiência em processos globais, reduzindo os prazos de compensação e simplificando a liquidação do comércio transfronteiriço.
Fonte: Latam Intersect


