Escritório de Santo André já atendeu mais de 1,7 mil empresas, atravessou sucessões familiares, revoluções tecnológicas e agora reposiciona atuação diante da Reforma Tributária e da IA
Máquinas, papéis, impressoras matriciais e processos essencialmente manuais faziam parte da rotina dos escritórios contábeis quando a Jaguar iniciou sua trajetória, em 1976. Cinco décadas depois, inteligência artificial, automação e uma das maiores transformações do sistema tributário brasileiro estão novamente mudando o exercício da profissão.
Entre esses dois momentos, a empresa sediada em Santo André, no ABC Paulista, atravessou diferentes gerações, mudanças de gestão e revoluções tecnológicas e chega aos 50 anos olhando para uma nova transformação de seu modelo de atuação.
Fundada em 1º de outubro de 1976 por Mauri Mestriner, a Jaguar Contábil teve o comando assumido por Lourival Franchi em 1979. A história ganhou novos capítulos ao longo das décadas e passou também por uma sucessão familiar após o falecimento de Lourival, em 1994. Em julho de 1997, Lourival Franchi Filho e Leonardo Franchi assumiram as operações e deram continuidade ao negócio que vinha sendo tocado pela mãe.
“Chegar aos 50 anos nos faz olhar para tudo o que mudou nesse período, mas principalmente para aquilo que permaneceu. Sistemas mudaram, legislações mudaram, a tecnologia transformou completamente a maneira de trabalhar, mas continuamos lidando com empresas, pessoas e decisões que impactam diretamente os negócios. Nossa capacidade de adaptação foi fundamental para chegarmos até aqui”, afirma Lourival Franchi Filho, sócio da Jaguar.
Cinco décadas acompanhando a transformação da contabilidade
A trajetória da Jaguar ajuda a ilustrar a própria evolução da atividade contábil no Brasil. O escritório acompanhou desde a chegada dos computadores e do Windows, na década de 1990, até a digitalização crescente das obrigações fiscais, passando pela implantação do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), eSocial, trabalho remoto e automação de processos.
Em março de 2014, outro movimento marcou a história da companhia: a união com a Huzoma, escritório liderado por Cynthia Fernandes, que já havia trabalhado na Jaguar Contábil anteriormente. A operação reuniu a especialidade contábil da Huzoma à expertise fiscal da Jaguar e também trouxe Kelly Cristina Bezerra para a sociedade.
“A contabilidade que fazemos hoje é completamente diferente daquela que encontrávamos algumas décadas atrás. A tecnologia eliminou muitas tarefas manuais, trouxe velocidade e aumentou a quantidade de informações disponíveis. Isso exige que o contador também evolua. Cada vez menos nosso valor está simplesmente em processar uma informação e cada vez mais em ajudar o empresário a compreender o que aquela informação significa para o negócio”, explica Kelly Cristina Bezerra, sócia da Jaguar.
Essa capacidade de adaptação foi colocada à prova em diferentes momentos. Durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, a estrutura tecnológica que já vinha sendo desenvolvida permitiu a migração para o trabalho remoto. Ao mesmo tempo, o escritório passou a atuar junto aos clientes na interpretação e aplicação das medidas emergenciais adotadas naquele período, incluindo alternativas para preservação de empregos e continuidade das operações.
Mais de 1,7 mil empresas atendidas
Ao longo de cinco décadas, a Jaguar contabiliza mais de 1.700 clientes atendidos e estima que mais de mil profissionais tenham passado pela organização. Atualmente, são 40 colaboradores.
Embora mantenha sua sede em Santo André, a atuação ultrapassou as fronteiras do ABC Paulista. Hoje, o escritório atende empresas de diferentes regiões do Brasil e também subsidiárias de companhias internacionais ligadas a países como Estados Unidos, Itália, Portugal e Espanha.
Para Leonardo, essa trajetória também demonstra uma mudança importante no papel da contabilidade dentro das empresas.
“O contador acompanhou por muito tempo o empresário principalmente no cumprimento das obrigações. Hoje, a informação contábil precisa participar da tomada de decisão. Ao longo desses anos tivemos situações em que uma orientação, uma certidão obtida no momento certo ou uma estratégia tributária e trabalhista foram determinantes para que empresas conquistassem contratos, preservassem empregos ou continuassem operando. É nesse lugar estratégico que acreditamos que a profissão tende a estar cada vez mais”, destaca.
O próximo capítulo: Reforma Tributária e inteligência artificial
Se os primeiros 50 anos foram marcados pela passagem do papel para o digital, a Jaguar Contábil avalia que os próximos devem ser definidos por outra mudança estrutural.
A implementação da Reforma Tributária e o avanço da inteligência artificial estão entre os fatores que já provocam uma revisão da maneira como escritórios contábeis estruturam equipes, processos e serviços.
Na Jaguar Contábil, a preparação para esse cenário envolve uma reestruturação voltada a ampliar o caráter consultivo da atuação. A proposta é reduzir progressivamente a concentração em atividades estritamente operacionais e utilizar tecnologia e dados para aproximar a contabilidade da gestão das empresas.
“Não acreditamos que a tecnologia diminua a importância do contador. Ela muda onde está o valor do nosso trabalho. Se uma máquina consegue executar determinadas tarefas operacionais, nosso tempo precisa ser direcionado para interpretar, antecipar cenários, conversar com o empresário e ajudá-lo a decidir. A inteligência artificial e a Reforma Tributária representam uma transformação muito grande, e queremos atravessá-la da mesma maneira que atravessamos tantas outras: nos antecipando e evoluindo”, afirma Cynthia Fernandes.
A gestão atual também aposta na complementaridade dos quatro sócios. Leonardo atua com perfil mais ligado ao planejamento; Cynthia, à execução; Kelly, à análise; e Lourival, à comunicação. Uma diversidade de características que, segundo os gestores, passou a ser encarada como uma vantagem estratégica à medida que a empresa amadureceu.
Para Leonardo Franchi, completar meio século, portanto, representa menos um ponto de chegada do que uma oportunidade de discutir os próximos anos.
“Quando você olha para uma empresa de 50 anos, é fácil falar apenas sobre tradição. Para nós, longevidade só faz sentido quando existe capacidade de mudança. A Jaguar de hoje não trabalha como a Jaguar de 1976 e provavelmente a Jaguar dos próximos anos também será muito diferente da atual. Nosso desafio é preservar aquilo que construímos nas relações com clientes e pessoas, sem ter medo de transformar todo o restante quando for necessário”, conclui.
Fonte: Thriz Comunicação


