IPV da HiPartners mostra fluxo e faturamento em direções opostas pelo sexto mês consecutivo

O varejo brasileiro registrou queda de 4,5% no faturamento em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025, apesar do aumento de 4,2% no fluxo de consumidores nas lojas físicas. Os dados são do Índice de Performance do Varejo (IPV), levantamento da HiPartners que monitora o desempenho do setor. Pelo sexto mês consecutivo, visitação e faturamento caminharam em direções opostas e, pelo segundo mês seguido, o aumento de pessoas nas lojas não se traduziu em crescimento do faturamento.

Nas lojas de shopping, o fluxo de visitação cresceu 2,5% em relação a setembro de 2025, enquanto o faturamento recuou 1,62%. Nas lojas de rua, a visitação aumentou 0,8%, mas o faturamento caiu 6,26%. No total das lojas físicas, o número de compras (cupons) caiu 3,47% e o ticket médio recuou cerca de 1,1%, ou seja, a queda veio sobretudo de menos transações, e não de compras menores. Os números revelam um descompasso entre a circulação de consumidores e a conversão desse movimento em resultados comerciais, especialmente no varejo de rua.

Pela análise regional, o cenário também foi heterogêneo. O Nordeste registrou alta de 15,4% no fluxo de lojas físicas e crescimento de 0,9% no faturamento. O Norte foi a outra região com resultado positivo no faturamento, com avanço de 1,41%, apesar da queda de 33,8% na visitação. No Centro-Oeste, o fluxo cresceu 15,7%, enquanto o faturamento recuou 3,55%. No Sudeste, a visitação avançou 5,0%, mas o faturamento caiu 6,52%, a maior retração regional. Já o Sul apresentou queda nos dois indicadores, com recuo de 3,6% no fluxo e de 2,21% no faturamento.

Entre os segmentos analisados, destaque para móveis e eletrodomésticos, com crescimento de 10,24% no faturamento e de 18,03% no número de compras, seguido por outros artigos de uso pessoal e doméstico, com alta de 5,82% no faturamento. Os resultados positivos contrastam com o desempenho geral do varejo e evidenciam diferenças no comportamento dos consumidores entre as categorias.

O descompasso tem pano de fundo macroeconômico. Com desemprego de 5,3%, o menor para o período desde 2012, a renda sustenta a ida às lojas. Mas a inflação de 4,58% em 12 meses, a Selic em 13,75% e o endividamento de 81,7% das famílias, segundo a CNC, limitam as compras. O ICVA, da Cielo, aponta na mesma direção, com queda real de 3,9% nas vendas do varejo em setembro.

“Juros e endividamento pedem eficiência, mas o cenário também abre espaço para inovação. A loja segue recebendo mais gente, e esse fluxo é um ativo: com tecnologia, o varejista pode monetizá-lo com retail media, oferecer crédito próprio quando o bancário está caro e usar a loja como base logística do digital. São novas fontes de receita que reduzem a dependência da venda no balcão e ajudam o varejo a atravessar este momento mais forte”, analisa Flávia Pini, sócia da HiPartners.

O IPV de setembro reforça a importância de observar não apenas o fluxo de visitação, mas a capacidade de converter a presença física em vendas. A leitura conjunta desses indicadores permite compreender melhor as diferenças de desempenho entre canais, regiões e setores do varejo.

Sobre a HiPartners Capital & Work

Criada em 2012, a HiPartners Capital & Work nasceu de um projeto pessoal do empreendedor Walter Sabini Junior, responsável pela venda da Virid, plataforma de e-mail marketing adquirida em 2011 pela Serasa Experian. Hoje é a primeira gestora brasileira focada em investimentos em tecnologia para varejo, buscando alavancar empreendedores e soluções para gerar impacto no setor no país.

Site: www.hipartners.com.br      

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Fonte: NB Press Comunicação    

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