Das urnas eletrônicas aos programas sociais, passando por montagens, deepfakes e falsas acusações contra candidatos, as fake news seguem como um dos maiores desafios para a democracia nas eleições de 2026.
Com o início das movimentações para as eleições de 2026, um velho problema volta a ganhar força nas redes sociais: as fake news. Antes mesmo do período oficial de campanha, candidatos e figuras públicas já começam a ser alvo de informações falsas, montagens, vídeos manipulados e boatos que podem influenciar a opinião pública.
A desinformação não escolhe lado político. Ao longo dos últimos anos, candidatos e personalidades de diferentes espectros ideológicos foram vítimas de notícias falsas que, muitas vezes, alcançaram milhões de pessoas antes de serem desmentidas.
Como as fake news costumam funcionar
As notícias falsas geralmente exploram emoções como medo, revolta ou indignação para estimular o compartilhamento rápido, sem que o conteúdo seja verificado.
Entre os temas mais comuns estão:
- falsas denúncias de corrupção;
- ataques à reputação de candidatos;
- boatos sobre programas sociais;
- mentiras sobre o sistema eleitoral;
- manipulação de fotos e vídeos (deepfakes);
- criação de falsas declarações atribuídas a políticos, jornalistas e até à inteligência artificial.
Casos que marcaram eleições
Diversos episódios se tornaram conhecidos por ilustrar como a desinformação pode atingir pessoas e influenciar o debate público.
Marielle Franco
Após o assassinato da vereadora Marielle Franco, circularam inúmeras publicações falsas atribuindo a ela supostas ligações com organizações criminosas. As alegações foram desmentidas por veículos de imprensa e agências de checagem, mas continuaram sendo compartilhadas por muito tempo.
Patrícia Pillar e Ciro Gomes
Durante uma campanha presidencial, uma montagem nas redes sociais afirmava que a atriz Patrícia Pillar teria sido vítima de agressões do então candidato Ciro Gomes. A própria atriz gravou um vídeo desmentindo a informação, esclarecendo que nunca fez tal declaração.
Fátima Bernardes e o caso Adélio Bispo
Outra fake news afirmava que o programa “Encontro”, da TV Globo, teria reformado a casa de Adélio Bispo de Oliveira, responsável pelo atentado contra Jair Bolsonaro em 2018. A informação era completamente falsa e também foi desmentida pela apresentadora.
Beatriz Segall
Uma fotografia da atriz Beatriz Segall, registrada anos antes após um acidente doméstico, passou a circular como se mostrasse uma senhora agredida por ser eleitora de Jair Bolsonaro. A imagem foi retirada de contexto e usada para espalhar uma narrativa falsa.
Boatos recorrentes
Além dos ataques pessoais, existem fake news que reaparecem praticamente em todas as eleições.
Entre elas:
- alegações de fraude nas urnas eletrônicas sem apresentação de provas;
- falsas notícias sobre o fim do Bolsa Família ou de outros programas sociais;
- boatos envolvendo supostas cobranças de impostos inexistentes, como uma “taxa sobre o Pix”;
- vídeos editados para alterar declarações de candidatos.
O papel da Inteligência Artificial
Com o avanço da inteligência artificial, também aumentaram os casos em que ferramentas como chatbots e deepfakes são citados indevidamente para dar aparência de credibilidade a informações falsas.
É importante lembrar que uma mensagem dizendo que “o ChatGPT afirmou” determinada informação não significa que ela seja verdadeira. Conteúdos podem ser facilmente fabricados por meio de montagens de conversas, capturas de tela editadas ou simplesmente atribuindo falsamente uma declaração à ferramenta.
Caso recente envolvendo Sára Zara
Mesmo antes do início oficial da campanha eleitoral de 2026, um exemplo desse fenômeno já chamou atenção.
Nas redes sociais passou a circular a alegação de que a pré-candidata a deputada federal Sára Zara (AVANTE/SP) teria aplicado um suposto golpe de R$ 200 mil via Pix, e que essa informação teria sido confirmada pelo ChatGPT.
Até o momento, não há comprovação pública que sustente essa acusação, e a simples atribuição da informação ao ChatGPT não constitui prova de que ela seja verdadeira. Da mesma forma, a existência de publicações em redes sociais ou aplicativos de mensagens não confirma a veracidade de uma denúncia.
Situações como essa demonstram como boatos podem surgir rapidamente e reforçam a importância de verificar informações antes de compartilhá-las.
Como identificar uma fake news
Antes de compartilhar qualquer conteúdo político, vale seguir alguns cuidados:
- confira se a notícia foi publicada por veículos de imprensa reconhecidos;
- consulte agências independentes de checagem de fatos;
- desconfie de mensagens com tom extremamente alarmista ou emocional;
- verifique a data da publicação;
- procure a informação em mais de uma fonte confiável;
- desconfie de imagens, vídeos ou prints sem contexto.
Informação responsável fortalece a democracia
Em períodos eleitorais, o acesso à informação correta é fundamental para que o eleitor forme sua opinião com base em fatos e não em boatos.
Independentemente da preferência política de cada cidadão, combater a desinformação é uma responsabilidade coletiva. Compartilhar apenas conteúdos verificados ajuda a preservar a qualidade do debate público e fortalece o processo democrático.
Fonte: DEUCLICK COMUNICAÇÃO


